A Polícia Judiciária anunciou hoje a apreensão 62 quilos de cocaína num armazém em Loures e a detenção de dois cidadãos portugueses, numa operação que serviu para desmantelar uma organização ibérica de tráfico de droga.
Em comunicado, a PJ refere que a Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes (DCITE) actuou em conjunto com a Guardia Civil espanhola no "desmantelamento de uma organização ibérica responsável pela introdução de elevadas quantidades de cocaína na União Europeia".
No âmbito da "Operação Tátis" foi apreendido um contentor com dez toneladas de toros de madeira, no interior dos quais se encontravam 62 quilos de cocaína com elevado grau de pureza. Foram detidos dois indivíduos portugueses, ambos com 37 anos de idade, que estão já em prisão preventiva.
Um dos detidos é empresário do ramo dos transportes e de produtos alimentares e proprietário da empresa para onde ia o contentor e o outro é um elemento de uma força de segurança em situação de licença sem vencimento.
Autoridades espanholas detiveram sete homens em Alicante
Na sequência da apreensão do contentor e das detenções em Portugal, foram também detidos sete homens de nacionalidades espanhola, argentina e suíça, com idades compreendidas entre os 32 e os 72 anos, na região espanhola de Alicante.
Foram ainda apreendidas duas viaturas, uma retro-escavadora no valor de 75 mil euros, roubada, que estava escondida no armazém, documentação e registos informáticos diversos.
Português tinha papel de destaque na organização
Segundo a PJ, o contentor veio do porto de Lima, no Peru, e tinha como destino a empresa de transportes portuguesa, onde a cocaína seria retirada e depois enviada para Espanha.
"Todos os detidos farão, presumivelmente, parte de uma organização ibérica, cuja actividade ilícita — introdução de cocaína em vários países da União E uropeia, através de correios por via aérea e através de contentores", refere o comunicado.
Um dos detidos de nacionalidade portuguesa tinha um papel de destaque na organização, sendo responsável pelo recrutamento de dezenas de correios de droga, que se deslocavam ao Peru e ao Brasil por via aérea com o objectivo de transportar para a Europa quantidades variáveis de cocaína.
De acordo com a PJ, a organização criminosa alterou o modo de agir e começou a utilizar "contentores por via marítima" e o contentor apreendido faria parte de "um teste de rota".
Se a operação fosse bem sucedida permitiria "a entrada sucessiva de outros contentores através do porto de Lisboa, com quantidades maiores de estupefaciente, com destino à mesma empresa portuguesa".
A organização está praticamente desmantelada, mas as investigações continuam, "sendo igualmente previsível a curto prazo, a detenção de outros indivíduos com envolvimento secundário no funcionamento daquela".


