Júdice louvou “espírito da decisão” e Rogério Alves lembrou obrigações do Estado

02.09.2008 - 15:52 Por Lusa
O ex-bastonário dos advogados José Miguel Júdice louvou hoje “o espírito da decisão judicial” favorável a Paulo Pedroso na acção contra o Estado, enquanto o também ex-bastonário Rogério Alves lembrou as obrigações do Estado neste domínio.
“O Estado português está obrigado pela Convenção Europeia dos Direitos do Homem a indemnizar em caso de erro grosseiro e, portanto, vamos aguardar a palavra dos tribunais superiores e pelo conhecimento dos fundamentos da decisão”, disse Rogério Alves.
O ex-dirigente socialista ganhou a acção interposta contra o Estado por prisão preventiva ilegal no processo da Casa Pia, com o juiz a determinar o pagamento de uma indemnização de 100 mil euros.
Em declarações à agência Lusa, Rogério Alves disse que não poderia comentar a sentença por desconhecer a decisão e os seus fundamentos.
“Se alguém está preso mais tempo do que a lei o permite é uma coisa, outra coisa é avaliar os fundamentos no sentido do seu mérito, se o que havia no processo justificava ou não uma prisão preventiva”, disse, acrescentando que “seria bom conhecer o texto da decisão para saber por que é que o tribunal de primeira instância considera que houve um erro grosseiro”.
Porta aberta para situações semelhantes
Por sua vez, José Miguel Júdice disse não ter por hábito comentar sentenças, embora louve o espírito da iniciativa.
“É uma sentença importante porque abre a porta para outras pessoas que foram acusadas injustamente e tratadas de forma menos adequada pelo sistema judicial”, disse José Miguel Júdice à Lusa.
“Com certeza que foi uma decisão ponderada pelo magistrado judicial, foi independente e fez justiça”, frisou, adiantando que os cidadãos “têm todo o direito de pedir indemnização”.
O advogado defende que este direito dos cidadãos é um elemento essencial num Estado de Direito.
(Em link sentença do caso, disponível no site da Associação Sindical dos Juízes Portugueses.)

