Josef Fritzl diz lamentar sofrimento que provocou à família

19.03.2009 - 10:58 Por PÚBLICO, Agências
Josef Fritzl declarou hoje, no final do seu julgamento, “lamentar de todo o coração” o sofrimento que provocou à família. O austríaco, que sequestrou durante 24 anos a filha na cave de casa e teve com ela sete crianças, foi o último a tomar a palavra na sessão desta manhã, antes de juízes e jurados se reunirem para decidir o veredicto.
“Lamento do fundo do coração o que fiz à minha família (...) Infelizmente não posso desfazer o que fiz. Posso apenas tentar limitar os estragos da melhor forma que puder”, disse o austríaco, de 73 anos, depois de lhe ter sido dada oportunidade para uma última declaração.
Ao contrário das três sessões anteriores, Fritzl chegou esta manhã de cara destapada ao tribunal de St Poelten, nos arredores de Viena. Com esta atitude e a declaração final, o arguido procura obter alguma benevolência dos jurados, depois de a procuradora responsável pelo caso ter pedido que Fritzl fosse condenado à pena máxima prevista para o crime de homicídio (prisão perpétua), o mais grave dos crimes de que está acusado.
Nas suas alegações finais, o advogado de defesa, Rudolf Mayer, pediu aos jurados que dessem o benefício das “circunstâncias atenuantes” ao seu cliente, sublinhando que ele “sofre de distúrbios de personalidade” resultantes de uma infância traumática.
O advogado disse também não ter ficado provado o crime de homicídio por negligência de uma das sete crianças nascidas em cativeiro, apesar de ontem Fritzl ter admitido responsabilidade na morte. Segundo Mayer, a confissão terá sido feita “por que, à última hora ele sentiu que [a filha] Elisabeth estava na sala” – uma informação noticiada ontem por um jornal austríaco, mas que o tribunal não confirmou.
Na primeira sessão do julgamento, Fritzl confessou-se culpado do sequestro e das violações sucessivas a que a sujeitou desde os 18 anos, mas rejeitou responsabilidades na morte de um das crianças nascidas em cativeiro, pouco depois de nascer, bem como do crime de escravatura. Contudo, ontem, depois de ter ouvido o testemunho gravado da filha, surpreendeu o tribunal ao declarar-se culpado de todos os crimes e disse lamentar a morte da criança.
Após a última declaração de Fritzl, juízes e jurados abandonaram a sala do tribunal, para decidir o veredicto, que é esperado para o início da tarde, devendo a sentença ser lida pouco depois.


