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Opinião

João Pedro Castro: Por que é que NÃO VOU participar no protesto da "geração à rasca"?

10.03.2011 - 13:07

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 (Ilustração de Nuno Saraiva)
Nome: João Pedro Castro
Idade: 21 anos
Localidade: Porto
Profissão: Estagiário empresa de tecnologia

Sempre defendi as iniciativas que visem mudanças políticas que promovam o desenvolvimento social... desde que tenham uma base de sustentação demasiado forte para provocar as referidas mudanças. Desde os 18 anos que não falho uma ida às urnas, desde os 19 que sou militante de um partido e sempre que posso vou a comícios, mesmo que sejam de outros partidos, pois estou sempre aberto a ouvir e a reflectir sobre diferentes pontos de vista. Suporto a diferença... não suporto é a hipocrisia.

Tenho a confessar que até dei algum apoio à iniciativa no princípio, pois achei que podia ser a lufada de ar fresco fracturante que o país estava (e está) a precisar, mas à medida que os dias foram passando e cada vez mais informações sobre o dito movimento foram trazidas a público, percebi que a minha forma de estar não podia ser mais diferente da deles:

- Dizem-se ser os porta-estandartes da mudança, mas no seu manifesto não apresentam soluções e limitam-se a enchê-lo de lapalissadas. Que o país está mal já todos percebemos, quero é que me convençam com argumentos e soluções para sairmos do buraco em que estamos (não com petições no Facebook ou "show-off's" como os de Viseu). De que outra forma podem convencer os políticos e a população em geral, a serem levados a sério? Ainda por cima com os Homens da Luta?! Eles são “humoristas” que satirizam a figura do manifestante… quem é que acham que eles vão satirizar no dia 12?!

- Insinuam que a manifestação será o "wake up call" que o país está a precisar, mas esquecem-se que se fossem realmente interventivos, não teríamos tido 40% de abstenção nas presidenciais e nas legislativas. Sim, porque ninguém me tira da cabeça que muitos desses 40% vão estar na rua no dia 12, a exigirem algo que recusaram nas urnas: a mudança.

- No seu manifesto, clamam "Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados.", mas antes disso dizem "Nós, que até agora compactuámos com esta condição". Ora, isto para mim (e para a maioria das pessoas) é um contra-senso. Se eles compactuaram com a situação (com o seu silêncio nas urnas), porque se queixam agora?!

- Muitos que lá estarão, não sentem aquilo que estão a defender. Como pode um estudante universitário saber o que é a precariedade se nunca trabalhou?! Porque é que há tantos recém-licenciados a queixarem-se de dificuldade em arranjar em emprego, quando optaram por áreas que já sabiam estar hipersaturadas há anos (como a psicologia, direito ou jornalismo)?! Sim, admito, vai haver muita gente que estará lá para lutar para melhorar as suas condições de vida… mas acabam por serem abafados pelos restantes. A ideia com que nós ficamos é que nada disto é genuíno ou espontâneo, mas sim o produto de uma moda recente.

Sim, quero mudanças no meu país e quero-as JÁ. Mas recuso-me a participar em algo que para além de não ir ter efeitos práticos, ainda por cima banaliza o conceito de manifestação. Quando organizarem algo sério e que tenha fundamentos e pernas para andar, contem comigo…

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Comentário + votado

hipersaturadas....

"Porque é que há tantos recém-licenciados a queixarem-se de dificuldade em arranjar em emprego, ...

Cláudia Santos

11.03.2011 16:35

X

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