Envelhecimento pressiona sistemas de saúde e protecção social das sociedades desenvolvidas. Nos países pobres com maior crescimento populacional, a questão alimentar é o primeiro problema.
Muitos vestiram quimonos e ouviram discursos de parabéns em cerimónias organizadas pelas autoridades locais. Muitos acabaram a noite daquela segunda-feira de Janeiro a beber álcool e a vagabundear, sem as restrições que lhes eram impostas quando menores. Era o Seijin shiki, dia de festa no Japão, feriado tradicional que este ano assinalou a chegada à maioridade de 1,24 milhões de jovens que completaram 20 anos nos 12 meses anteriores.
Mas, desta vez, os responsáveis governamentais japoneses tinham, como então assinalou o diário britânico The Guardian, poucos motivos para celebrar. O número de "novos adultos" caiu para metade dos 2,46 milhões de 1970. O grupo em festa não chegava a um por cento do total da população - sinais por de mais evidentes de uma tendência que se tem vindo a acentuar: o envelhecimento das sociedades mais desenvolvidas.
O Japão, onde a média de idade é de 44,7 anos, a mais alta do mundo, é o caso mais notório - embora esteja longe de ser único - dessa tendência. É por isso um verdadeiro laboratório dos desafios que o envelhecimento coloca à economia e aos sistemas de protecção social.
Já no árido Níger, na transição do deserto para a África subsariana, onde a idade média da população é de 15,5 anos, a mais baixa do mundo, os problemas são de outro tipo. Desde logo conseguir alimentar uma população de 16,1 milhões de pessoas, que não pára de crescer. As previsões das Nações Unidas apontam para um aumento de 3,5% no período 2010-2015.
A realidade de um país com uma economia de subsistência, frequentemente abalada pelas secas, é bem ilustrada pelo caso da família de Souley Adam, contado há dias pela rádio alemã Deutsche Welle. Vive com os oito filhos e duas mulheres na pequena aldeia da região de Maradi. São 11 pessoas para alimentar e a décima-segunda vem a caminho. "Se encontrar trabalho, pode alimentar a sua família durante alguns dias, senão é difícil", disse Souley.
Sinais de alarme
A melhoria dos cuidados de saúde e a diminuição da fertilidade - 42 por cento da população mundial vive em países em que os nascimentos não chegam para a renovação geracional - ajudam a compreender o envelhecimento das sociedades desenvolvidas.
No Japão, como em boa parte dos países da Europa, ou na China, o envelhecimento cria problemas que se tornam a cada dia mais evidentes. Os nipónicos que têm acima de 65 anos são mais de um quarto da população, o que exige crescentes cuidados e coloca desafios à sustentabilidade do crescimento económico e dos sistemas de pensões.
A actual situação do Japão, onde a esperança média de vida é de 80 anos para os homens e 87 para as mulheres, é em parte explicada pelas políticas de controlo de natalidade adoptadas no fim da década de 1940. A fertilidade atingiu um mínimo de 1,26 filhos por mulher em 2005 e registou uma ligeira subida para 1,39 em 2010, segundo o Ministério da Saúde e Segurança Social. Mas está longe, muito longe, dos 2,1 necessários à renovação geracional. Os jovens tendem a constituir família e a ter filhos cada vez mais tarde, o que se tornou um problema.
Num país de 126,5 milhões de pessoas, com uma imigração quase residual, a previsão de crescimento populacional no período 2010-2015 é de 0,1 por cento negativo. Outro dado que ilustra o tipo de desafios que se colocam às sociedades mais desenvolvidas: por cada cem japoneses entre os 20 e os 64 anos, há 38 com mais de 65. E o número poderá subir para 70 em 2030.


