Já só faltam 70 metros de túneis para que o rio Sabor seja desviado

27.10.2009 - 09:41 Por Luísa Pinto
As estradas de acesso, em terra batida, desenham uma serpente interminável. São 184 veículos que, acima e abaixo, desafiam o tempo, trocam-lhe as voltas, e até lhe antecipam prazos. Afinal, vai ser possível, mais cedo do que o previsto, terminar a galeria de túneis que vai permitir desviar o rio Sabor, para o deixar seco na zona onde vai ser erguida uma parede de 120 metros de betão. Faltam 70 metros para esses túneis se juntarem (será em Novembro), e pouco mais de dois meses para construir as duas ensecadeiras: antes do final do trimestre de 2010, o paredão de montante da barragem do Baixo Sabor vai começar a ser construído.
As etapas vão sendo ultrapassadas, rumo ao objectivo de, em Dezembro de 2013, o aproveitamento hidroeleéctrico do Baixo Sabor, que passa não por uma, mas por duas barragens (um escalão a três quilómetros da foz do Sabor, e outro a 12,5 quilómetros da Foz) e um investimento de 4.191 milhões de euros, estar concluído.
Para o presidente do Conselho de Administração da EDP, António Mexia esta obra representa, "talvez mais do que qualquer outra", a capacidade de avançar com que estava parado há mais de dez anos, "com a capacidade de respeitar calendários mas sobretudo respeitar o enquadramento social, ambiental, ajudando a desenvolvê-los".
A obra já está em curso, mas ainda há muitas incertezas não tanto sobre os impactos negativos a minimizar, mas sobretudo acerca da forma como fazer perdurar os impactos positivos. A EDP organizou ontem um mega- evento em Torre de Moncorvo para o qual convidou autarcas, instituições públicas, empresários e organizações não governamentais, para os desafiar a "aproveitar a oportunidade única que está a ser criada na região, com a construção de várias barragens" [para além do Baixo Sabor, está em curso o reforço de potência de Picote e Bemposta, e para o ano vai avançar a construção da Foz-Tua] para que os impactos positivos que estas criam, em termos de empregabilidade e desenvolvimento económico da região, possam perdurar para além dos cinco a seis anos de período de construção, e que "arrastam" para o local milhares de trabalhadores.
Mexia quis dizer à plateia que a empresa a que preside é "a melhor empresa da Europa e a segunda melhor do mundo", na sua área, a desenvolver projectos de forma sustentável: "Estamos a fazê-los de uma forma diferente do que até aqui foi feito, porque defendemos uma visão integradora. Passamos de mecenas tradicional a parceiro, e passamos de patrocinador a facilitador. E queremos ser medidos e avaliados em todos os impactos da nossa actuação".
Autarcas e instituições locais, bem como populares (a EDP recolheu um documentário com vox populi) dizem-se a favor do progresso e das barragens. Ao todo serão gastos 120 milhões de euros com medidas de protecção e minimização ambiental, mas, como referiu Sérgio Figueiredo, presidente da Fundação da EDP, as pessoas temem que essas verbas "sejam para proteger morcegos e passarinhos", quando o que elas querem é saber, por exemplo, se a conta da luz vai baixar. Mexia relembrou que há muitas contrapartidas que estão em curso, como apoios a projectos de solidariedade social, mas também medidas que os ajudam a poupar na factura energética.

