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Investigação no Brasil aponta Duarte Lima como único suspeito na morte de Rosalina

27.10.2011 - 20:35 Por Alexandra Lucas Coelho, no Rio de Janeiro

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Ex-deputado pode ter sido ajudado, mas todos os outros suspeitos foram descartados, de acordo com a investigação a que o PÚBLICO teve acesso. Notícia publicada no dia 30/09/2011

Domingos Duarte Lima, advogado e ex-deputado do PSD, é o único suspeito no assassinato de Rosalina Ribeiro, segundo a investigação da polícia brasileira, agora concluída, a que o PÚBLICO teve acesso. E o relatório enumera provas contra ele, aquilo a que em linguagem jurídica se chama "indícios veementes de autoria". Todos os demais suspeitos foram descartados por falta de provas, de acordo com uma fonte policial que não pode ser identificada por o caso estar em sigilo.

Elaborado por uma dupla de inspectores da Polícia Civil, o documento, com mais de mil páginas, está agora nas mãos do chefe da Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro, Felipe Ettore. É o resultado de quase dois anos de inquérito, desde Dezembro de 2009, quando Rosalina foi morta num lugar ermo, a uma hora do Rio de Janeiro. Nas próximas semanas, Ettore terá de decidir se indicia Duarte Lima no relatório a enviar ao Ministério Público brasileiro, que, por sua vez, optará por abrir ou não um processo.

Mais de 100 milhões

Na origem do crime estão os milhões deixados por Lúcio Tomé Feteira, um industrial português de Vieira de Leiria que depois do 25 de Abril se refugiou no Brasil. Rosalina Ribeiro foi sua secretária e namorada, mas nunca oficialmente mulher, porque ele era casado.

Feteira morreu em 2000. A partir daí foram anos de disputa pela herança, espalhada por contas em Portugal, no Brasil, na Suíça, nos Estados Unidos e em Inglaterra, além dos imóveis. Não se sabe exactamente quantos milhões, porque ainda não houve acesso às contas americanas e inglesas, mas "só no Brasil são mais de 100 milhões de reais [40 milhões de euros]", de acordo com a fonte do PÚBLICO. Quando se conseguiu quebrar o sigilo bancário na Suíça, soube-se que Rosalina Ribeiro transferira 5,8 milhões de euros para uma conta em nome de Duarte Lima, alegadamente seu advogado.

Mas, no início da investigação, o ex-deputado do PSD nem era suspeito. O foco estava em Olímpia Feteira, filha do milionário, por ela travar um braço-de-ferro com Rosalina em torno da herança, conforme descreve a mesma fonte: "Ela estava numa briga de foice, uma briga grande com a Rosalina, mas [durante a investigação] não surgiu nada que indique que tenha participado [no crime]. Não há nenhum indício da culpabilidade de Olímpia. Tudo foi profundamente investigado."

O inquérito voltou-se então para Duarte Lima, última pessoa a vê-la viva. "Não por suspeição inicial em relação a ele, mas na tentativa de reconstruir os últimos passos dela." E foi durante essa tentativa que vieram ao de cima "as incongruências dele", "mentiras" que acabaram por transformá-lo no único suspeito.

As "mentiras"

Rosalina foi morta a tiro num lugar "onde ninguém tem nada a fazer, só existem bois, plantação de feijão e uma estrada". O nome da freguesia é Sampaio Corrêa, município de Saquarema a 90 quilómetros do Rio, com o qual nenhum dos envolvidos no caso tinha qualquer relação. Mas a meio caminho entre o Rio e o local do crime está Maricá, município onde Feteira tinha uma fazenda, em parte incluída na herança que coube a Rosalina.

O que Duarte Lima disse à polícia brasileira é que na noite do crime, 7 de Dezembro de 2009, levou Rosalina de carro desde o Rio até Maricá porque ela se queria encontrar com uma tal Gisele que estaria interessada em comprar parte da fazenda. Que estava Lima a fazer no Rio? Segundo declarações do próprio, Rosalina telefonara-lhe a pedir que se encontrassem junto ao seu apartamento na Praia do Flamengo, ele apanhou-a de carro numa esquina e foram para uma lanchonete, de onde partiram para Maricá.

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