O inspector-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) rejeitou hoje a ideia de uma demissão, exigida pelo CDS-PP, e reafirmou que as alegadas metas traçadas para os inspectores não são objectivos quantificados, mas resultados previsíveis.
O CDS-PP exigiu hoje a demissão de António Nunes, na sequência da divulgação pelo “Expresso” de um documento com alegados objectivos quantificados para os inspectores.
Reagindo a estas declarações, o inspector-geral da ASAE disse não comentar afirmações de deputados, reafirmando tratar-se de um documento com objectivos e resultados.
“O documento existe e já pesquisámos a informação. É um documento com objectivos e resultados operacionais e tem-se tentado confundir as duas coisas”, afirmou em declarações à Lusa.
Segundo António Nunes, o que vincula a ASAE são os objectivos públicos, divulgados no site, e não um documento de trabalho. “Se tivesse havido uma atitude de condicionamento dos inspectores, eles já teriam dito e os sindicatos também já o teriam afirmado”, considerou, acrescentando que basta fazer contas com os resultados de 2006/2007 e os objectivos para 2008, para se chegar à conclusão que os números no documento são os resultados esperados.
Baralhar resultados com objectivos”
António Nunes afirma que se está a “baralhar resultados com objectivos”, mas garante que não será por “pequenas vicissitudes” como esta que a ASAE se desviará do seu caminho.
Questionado, assim, sobre se exclui a hipótese de se demitir, António Nunes respondeu estar a “desempenhar a função para que foi designado” e que a pretende “levar a bom porto”.
“Não são pequenas vicissitudes que me desviam do meu interesse central que é defender os consumidores. Não faz, por isso, sentido fazer comentários sobre uma demissão”, acrescentou.
O “Expresso” divulga hoje um documento elaborado pela Direcção de Planeamento e Controlo da ASAE e enviado às direcções regionais, alegadamente fixando objectivos de resultados aos seus inspectores para este ano.
Segundo o jornal, o inspector-geral da ASAE começou por negar a existência de metas, mas reconhece agora que estão fixadas num documento de trabalho, enquanto “resultados previsíveis”, enviado por engano num ficheiro informático para as direcções regionais.
CDS pediu demissão
“Não esperamos do primeiro-ministro outra atitude que não seja demitir rapidamente o inspector da ASAE. O próprio inspector, se tivesse um pingo de bom senso demitia-se, mas já não acreditamos que o faça, tantas vezes foi já apanhado a mentir. Por isso resta ao primeiro-ministro dar provas de que não tolera uma atitude destas de um inspector da ASAE”, afirmou à Lusa o deputado Hélder Amaral.
Para o CDS-PP, a notícia do “Expresso” “põe em causa as afirmações” de António Nunes e prova que este responsável “faltou descaradamente à verdade”, quando negou inicialmente o documento, para depois dizer que era da Direcção Regional do Norte, quando na realidade saiu da sede.
O documento em causa prevê um total de 410 detenções, 25.420 processos por infracção, 1230 suspensões de actividade, 1640 processos-crime e 12 mil contra-ordenações.
Num comunicado divulgado esta madrugada, a ASAE diz ter aprovado um quadro final que fixava os objectivos operacionais para as direcções regionais, “excluindo-se da informação os resultados previsíveis”. Mas “dado que se tratava de um ficheiro informático com várias páginas, foi enviado.


