Segundo investigador da Judiciária ouvido em tribunal

Inspector da PJ associa conversas telefónicas ao homicídio de segurança no caso “Noite Branca”

29.10.2009 - 15:46 Por Lusa

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Estão em julgamento nove arguidos, cinco dos quais terão tido implicação directa no homicídio do segurança Estão em julgamento nove arguidos, cinco dos quais terão tido implicação directa no homicídio do segurança (Fernando Veludo/NFactos)
Machial Pinto, o segundo inspector da Polícia Judiciária a ser ouvido em tribunal no âmbito do processo “Noite Branca”, afirmou hoje perante o colectivo de juízes que os suspeitos do homicídio de Ilídio Correia, em Novembro de 2007, e pessoas que lhe eram próximas usaram expressões ao telefone que, devidamente enquadradas no tempo e no contexto, só podem ser interpretadas como referências à concretização do crime.

Uma das chamadas interceptadas e agora ouvidas em audiência foi efectuada às 05h02 de 29 de Novembro de 2007, uma hora após o homicídio. A conversa decorreu entre os arguidos Pedro Guerra e Mauro Santos, ouvindo-se o primeiro a perguntar se “rolou” alguma coisa e o segundo a responder que sim.

Noutro telefonema, às 04h54, uma pessoa não arguida no processo (S.C.), contacta Pedro Guerra e fala-lhe de “uma vitória das grandes”, observação que o interlocutor diz não perceber, remetendo a continuidade da conversa para outra ocasião.

Na interpretação de Machial Pinto, ambas as observações relacionam-se “com os factos passados às quatro da madrugada”, ou seja, com o homicídio de Ilídio Correia.

Ilídio Correia era dado como membro do grupo de seguranças de Miragaia, supostamente liderado por dois dos seus irmãos, enquanto os alegados homicidas integravam o "núcleo duro" dos seguranças da Ribeira.

Neste processo, estão em julgamento nove arguidos, cinco dos quais (Bruno Pinto “Pidá”, Mauro Santos, Fernando Martins “Beckam”, Ângelo Ferreira “Tine” e Fábio Barbosa “Suca”) terão tido implicação directa no homicídio do segurança de origem cabo-verdiana Ilídio Correia, de 33 anos.

Interpelado sobre os critérios que levaram a investigação a associar alguns escutados ao crime e outros não, o inspector disse, referindo-se ao caso concreto de S. C., que “não fazia parte” do núcleo duro responsabilizado pelo crime. Noutra parte do seu depoimento, remeteu o pedido de explicações adicionais para a direcção da investigação.

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