Inspecção-Geral das Actividades em Saúde abre inquérito a infecções no Hospital de Faro

10.05.2009 - 12:59 Por Mariana Oliveira
A Inspecção-Geral de Actividades em Saúde (IGAS) abriu um processo de inquérito para avaliar se as infecções com uma bactéria resistente à maioria dos antibióticos estão relacionadas com a morte de oito pessoas no Hospital de Faro. A unidade de saúde confirma numa nota escrita que 31 doentes foram infectados com a Clostridium difficile desde o início do ano, oito dos quais faleceram, mas sublinha que as mortes não tiveram relação directa com a infecção.
O delegado regional de saúde, Luís Mendonça, reconhece a anormalidade do número de infectados com a bactéria, mas recusa a existência de um surto. "Os casos não estão relacionados entre si. Muitos aconteceram em serviços diferentes e dispersos no tempo", explica Luís Mendonça. O médico diz que os casos têm aumentado em todo o mundo, devido às melhorias dos meios de diagnóstico e adianta que todos os doentes internados no Hospital de Faro com diarreia fazem o teste desta bactéria.
Quanto às oito mortes, afirma: "Tenho a certeza que nenhuma foi directamente causada pela Clostridium. Outras patologias foram a causa primária destas mortes". O delegado regional de saúde fundamenta essa certeza no facto de nenhum dos pacientes ter falecido de colite pseudomembranosa, uma infecção grave no intestino grosso, nem de uma septicemia, uma infecção generalizada.
Luís Mendonça realça que o Hospital de Faro está a tomar as medidas adequadas à situação, reforçando as medidas preventivas. "É essencial evitar o uso desnecessário de antibióticos, uma limpeza cuidadosa das superfícies no hospital e a lavagem das mãos com água e sabão por parte dos profissionais de saúde", resume o médico. É que a Clostridium difficile existe na natureza e entre três e cinco por cento da população estão infectados pela bactéria, sem sintomas. "A bactéria só se manifesta quando fazemos um tratamento com antibióticos e um quarto dos casos resolvem-se parando-se com o medicamento", precisa Mendonça, que salienta o papel activo da Comissão de Controlo da Infecção da unidade de Faro.
O presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve, Rui Lourenço, considera que não há razões para alarmismos. "Só convive com estas situações quem faz uma vigilância apertada", avalia. "Por razões não explicadas, por vezes, verifica-se um número anormal de casos e é preciso reforçar as medidas preventivas", refere, indicando que os estudos dizem que 80 por cento das pessoas são contaminadas nos hospitais e 20 por cento na comunidade.
Neste caso, o Hospital de Faro não avança com números. "No momento do diagnóstico os doentes podem encontrar-se em diferentes serviços do hospital, cuja principal porta de entrada é o Serviço de Urgência, registando-se, por vezes, alguns casos com infecção adquirida fora do hospital", adianta a unidade.
O hospital acrescenta que todos os doentes tinham um ou mais factores de risco associados: mais de 65 anos, tratamento com antibióticos, internamentos anteriores ou doença grave.
A Clostridium difficile é o principal causador de doenças intestinais associadas ao uso de antibióticos, que variam desde diarreias a colite pseudomembranosa, que pode ser fatal.

