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Problema está para além da porta, diz Bastonária

Infarmed confirma que algo não está bem no Santa Maria

07.08.2009 - 12:00 Por Clara Viana

É a primeira confirmação pública de que algo de errado se passou no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Ontem, numa nota à imprensa, o Infarmed revelou que "identificou não conformidades, algumas delas consideradas críticas", durante a inspecção que realizou naquele estabelecimento depois de seis doentes terem cegado na sequência de um tratamento nos Serviços de Oftalmologia, realizado no passado dia 17 de Julho.
Infarmed "identificou não conformidades", algumas delas "críticas" Infarmed "identificou não conformidades", algumas delas "críticas" (Fuís Efigénio (arquivo))

O Infarmed não revela para já quais as "não conformidades" detectadas, uma vez que esta divulgação "pode pôr em causa" a investigação do caso que está a ser conduzida pelo Ministério Público (MP), esclareceu o assessor de imprensa da Autoridade Nacional do Medicamento, Pedro Faleiro.

O relatório da inspecção foi já remetido ao MP, à semelhança do que aconteceu com as conclusões da primeira averiguação feita pelo Infarmed e que teve como alvo o produto alegadamente injectado aos doentes, o Avastin.

Após ter garantido a "qualidade" do lote, o Infarmed avançou com uma segunda inspecção a "todo o circuito de preparação e dispensa de medicamentos", esclareceu Faleiro. Para a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Elisabete Faria, as anomalias detectadas nesta inspecção terão acontecido após o medicamento ter saído da farmácia hospitalar.



"Tudo conforme"

A Ordem divulgou também ontem o relatório da inspecção que fez na véspera à farmácia do Hospital de Santa Maria, onde se conclui "não se ter verificado qualquer incorrecção por parte dos profissionais farmacêuticos nem qualquer alteração aos procedimentos estabelecidos".

Em declarações ao PÚBLICO, a bastonária esclareceu que não conhece o relatório do Infarmed, mas recordou que no circuito investigado por este serviço existe uma parte que não é da responsabilidade dos farmacêuticos e que, por isso, os relatórios das inspecções poderão não ser contraditórios.

"Do que nós observámos na farmácia hospitalar, tanto no que respeita à prática profissional, como aos passos realizados na manipulação e preservação do medicamento, está tudo conforme. Mas quando o medicamento sai fora da farmácia, o que se passa já não é da nossa responsabilidade", disse.

Conforme o PÚBLICO noticiou esta semana, a Polícia Judiciária suspeita que este caso poderá ter ocorrido devido a negligência hospitalar. Esta suspeita baseia-se em elementos cedidos pelo hospital mas também pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde.

Na próxima semana serão divulgados resultados de uma outra inspecção feita na sequência deste caso, desta vez pela Entidade Reguladora da Saúde, confirmou o seu responsável, Álvaro Almeida, que se escusou a adiantar conclusões.

Esta inspecção teve como objectivo verificar se os procedimentos respeitam "todos os requisitos de segurança e qualidade dos serviços". Se forem detectadas falhas nos procedimentos, não só terão que ser corrigidas, como se procederá também à análise de outras unidades hospitalares de modo a verificar-se se existem problemas idênticos, acrescentou Álvaro Almeida.

O Infarmed deu dez dias a Santa Maria para apresentar "um plano de medidas correctivas". No final deste prazo, haverá uma nova inspecção. Ontem, nem a administração nem o gabinete de imprensa do hospital responderam aos telefonemas do PÚBLICO.

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