Indústria farmacêutica quer comparticipação de medicamentos com base no rendimentos

17.04.2011 - 09:29 Por Lusa
A indústria farmacêutica defende que a comparticipação do Estado nos medicamentos seja feita consoante os rendimentos dos utentes, medida que considera “inevitável” para Portugal.
“A diferenciação entre utentes que têm rendimentos diferentes é uma questão que, inevitavelmente, Portugal, a prazo, vai ter que equacionar”, sugeriu, em entrevista à agência Lusa, o presidente da Associação da Indústria Farmacêutica (Apifarma).
Para João Almeida Lopes, as pessoas com mais rendimentos devem receber menos apoio do Estado na compra de remédios.
“As comparticipações hoje em dia são praticamente iguais para toda a gente. Provavelmente no futuro, ou talvez já hoje, não faça sentido que pessoas de altos rendimentos sejam comparticipados nos mesmos montantes que pessoas com posses mais limitadas”, afirmou.
Os laboratórios consideram que Portugal tem o preço dos fármacos “claramente abaixo” da média da União Europeia e mesmo dos países de referência.
Questionado sobre as dificuldades dos portugueses, em alturas de crise, de comprar todos os remédios de que necessitam, João Almeida Lopes considerou que cabe ao Estado encontrar mecanismos de compensação: “Os estados, sobretudo os que têm um cariz social, têm de encontrar formas de garantir às pessoas de menores rendimentos que não fiquem desfavorecidas perante o resto da população”.
A Apifarma alerta ainda que o nível dos preços dos medicamentos em Portugal leva muitas vezes a que sejam exportados para países com preços mais altos.
“Há muitos doentes que não têm acesso em tempo aos medicamentos de que necessitam, porque a diferença de preços em Portugal é de tal maneira gritante, que há uma tendência natural em serem exportados”, explica João Almeida Lopes.
Este problema, segundo o representante da indústria, não é muito visível nos grandes centros urbanos, mas mais em pequenas cidades, sobretudo do interior.
Segundo as contas da Apifarma, os 100 fármacos mais vendidos no país sofreram reduções de 15 a 30 por cento nos últimos cinco anos.

