A indústria farmacêutica investe anualmente cerca de 100 milhões de euros em investigação e desenvolvimento em Portugal, valor que a crise terá diminuído nos últimos tempos e que se traduziu na diminuição de ensaios clínicos, revelaram especialistas.
João Barroca, da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), revelou hoje, durante um encontro sobre a gestão do medicamento em meio hospitalar, que o investimento dos laboratórios em Portugal foi de 100 milhões de euros em 2007.
Sobre os anos seguintes, João Barroca disse não ter dados, confessando estar “curioso” por saber esses valores, uma vez que, desde então, “vários centros de pesquisa em Portugal encerraram por dificuldades externas e internas”.
A crise terá motivado a diminuição de ensaios clínicos em Portugal, como avançou hoje o presidente da autoridade que regula o sector do medicamento em Portugal (Infarmed).
Segundo Vasco Maria, que também interveio no debate, os ensaios clínicos diminuíram dez por cento em 2009, “um reflexo da crise em Portugal e no mundo”.
A maioria (56 por cento) dos ensaios clínicos realizados em Portugal referem-se a químicos, enquanto 44 por cento são de produtos de origem biológica.
Vasco Maria sublinhou que, em Portugal, a indústria farmacêutica promove a esmagadora maioria dos ensaios clínicos. Apenas cinco por cento não pertencem a laboratórios.
Este valor é diferente nos restantes países da União Europeia, revelou o presidente do Infarmed.
Vasco Maria alertou ainda para a “morosidade” na apreciação dos pedidos de ensaios clínicos, ao nível hospitalar.
“Em alguns casos, um ensaio multicêntrico já está a acabar em outros países quando começa em Portugal”, disse.


