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De acordo com a Quercus

Incêndios: Emissões de dióxido de carbono podem ter atingido 1,1 milhões de toneladas

28.08.2010 - 12:28 Por Lusa

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Os incêndios florestais terão levado à emissão de cerca de um milhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente, segundo critérios de investigadores, quase ao dobro do valor obtido pela análise da Agência Portuguesa do Ambiente, afirmou hoje a Quercus.

O vice-presidente da Quercus, Francisco Ferreira, disse à Lusa que “há um problema com a incerteza da metodologia de cálculo” das emissões de dióxido de carbono e outros gases com efeito de estufa devido aos incêndios. Por isso, “de acordo com as contas até 15 de Agosto, podemos estimar entre 520 mil toneladas e 1,1 milhões de toneladas”.

O valor mais elevado corresponde aproximadamente às emissões de 29 milhões de automóveis a fazerem o percurso da autoestrada Lisboa-Porto, exemplifica a associação ambientalista.

O responsável da Quercus explica que, calculando apenas com base na floresta ardida e recorrendo a factores de emissão usados pela APA na obtenção dos dados submetidos às Nações Unidas relativa a 2008, as emissões de gases com efeito de estufa associadas aos incêndios florestais foram de 520 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente, “um valor claramente por baixo, que não é real”.

Mas, se a análise considerar o total de área ardida, com florestas e matos, com base em valores médios de biomassa e de emissões resultantes de estudos de investigadores, como José Cardoso Pereira, do Instituto Superior de Agronomia (ISA), o número sobe para cerca do dobro.

“Numa outra metodologia seguida por investigadores portugueses, vamos para 1,1 milhões de toneladas, porque contabilizamos matos, que muitas vezes têm floresta em crescimento e povoamentos florestais”, especificou Francisco Ferreira.

Assim, a relação entre a área de povoamento florestal e o que é considerado mato “pode ser determinante” para as contas das emissões, alerta a Quercus.

O vice-presidente da associação referiu ainda que, “em 2010, as emissões, à partida, serão maiores” que aquelas registadas no ano passado, porque em 2010 “a área de povoamentos já está em mais do dobro do que a área de 2009”, mas salientou que “é difícil fazer ainda as contas”.

Para o total do ano de 2009, a área ardida foi de 86 778 hectares e em 2010, até 15 de Agosto, foi de 78600 hectares, segundo Francisco Ferreira, citando números da Autoridade Florestal Nacional.

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