Imigrantes interceptados no Algarve vão ficar à guarda do SEF no Porto

18.12.2007 - 18:23 Por Lusa, PUBLICO.PT
Dezanove dos 23 imigrantes clandestinos que ontem foram detidos ao largo da costa algarvia, na zona de Olhão, já foram ouvidos no Tribunal de Faro. O grupo de cidadãos marroquinos vai ficar à guarda do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras no Porto, até que seja tomada uma decisão sobre o seu repatriamento, que deverá ser anunciada no prazo de 60 dias.
Dezasseis homens e três mulheres de nacionalidade marroquina saíram do Tribunal de Faro depois de estarem a ser ouvidos desde as 10h30. Os imigrantes entraram depois num autocarro que os levará até ao Centro Habitacional de Santo António, no Porto, até que seja anunciada uma ordem de expulsão pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), determinou o Tribunal de Faro.
O grupo, em que se encontra uma jovem de 15 anos, passou a última noite nas instalações do SEF no Aeroporto de Faro, cujas condições não são indicadas para "tanta gente", como defendeu António Chora, deputado do Bloco de Esquerda, que hoje se deslocou ao Tribunal de Faro.
António Chora esteve durante a tarde no Tribunal de Faro em solidariedade para com os imigrantes, tendo falado com sete deles, que, segundo o deputado, pediram "compaixão" aos portugueses e para que os ajudassem, já que têm profissões e filhos para cuidar.
Alguns dos cidadãos que chegaram à costa algarvia ontem admitiram já ter tentado alcançar a Península Ibérica através de Ceuta, tendo sido depois interceptados e reencaminhados para o seu país de origem.
De acordo com o deputado, os imigrantes estão conscientes da possibilidade de serem expulsos e elogiaram a forma como foram tratados em Portugal, ao contrário do que já lhes acontecera antes em Espanha, onde dizem ter sido maltratados.
De acordo com António Chora, apesar de ter condições razoáveis, o Centro de Acolhimento em Faro "não dá para tanta gente" porque apesar de ter doze beliches - 24 camas -, não abriga de forma digna homens e mulheres, sendo que alguns, diz, tiveram que dormir no chão.
Segundo António Chora, a imigrante mais nova do grupo confessou-lhe já ter estado num centro de acolhimento em Espanha durante dois anos e meio, tendo sido depois devolvida ao pai em Marrocos, para onde não quer voltar.
O deputado bloquista afirma que o partido não concorda com a Lei de Imigração em Portugal e afirma ter propostas para suavizar a imigração legal. "Achamos que [a lei] é restritiva demais e temos propostas que oportunamente apresentaremos", concluiu.
Imigrantes foram deixados à deriva no mar
Ontem, os 23 imigrantes ilegais alcançaram a costa algarvia, a bordo de um pequeno barco vindos de Marrocos. Segundo o seu tradutor, Mohamed Moctar, foram deixados à deriva pelo proprietário da embarcação quando se aproximavam de terra.
Ainda segundo o tradutor, no início, a viagem estava a ser negociada com 30 pessoas, mas algumas tiveram que ser excluídas devido às pequenas dimensões da embarcação, sendo que cada imigrante pagou entre 300 a 1000 euros para fazer a travessia.
Ao segundo dia de navegação, esgotaram-se os mantimentos e o dono da embarcação pediu apoio por telefone e duas lanchas tripuladas por seis pessoas foram ao encontro do barco para os abastecer de água, combustível e alimentos.
Mohamed Moctar, que está a colaborar com o SEF neste processo, adiantou que os imigrantes alegam que as lanchas que prestaram apoio à embarcação estavam carregadas com droga. Quando o barco com os imigrantes se aproximou da costa algarvia, o dono da embarcação fez novo telefonema e foi levado por uma lancha, deixando os imigrantes no mar.
Três dos imigrantes permanecem em observação no Hospital de Faro e, segundo fonte hospitalar, permanecem internados para fazer tratamentos para combater a desidratação, estando previsto que tenham alta amanhã.

