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Conferência Episcopal

Igreja pode apelar ao voto contra partidos que apoiam casamento entre homossexuais

11.02.2009 - 08:26 Por Lusa, Filomena Fontes

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José Sócrates, em Setembro de 2007, na inauguração de uma escola no concelho de Resende José Sócrates, em Setembro de 2007, na inauguração de uma escola no concelho de Resende (Paulo Ricca/PÚBLICO (arquivo))
Não é ainda um apelo à mobilização dos fiéis contra a legalização do casamento entre homossexuais, mas é uma advertência clara da Igreja Católica, com endereço para o secretário-geral do PS, José Sócrates, tendo no horizonte as próximas eleições legislativas.

“Os cristãos, seguramente, tomarão as suas conclusões, porque não é fiável quem se mete por estas aventuras, em que a sociedade fica exposta a feridas, que são profundas”, declarou, em jeito de aviso, o secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), Manuel Morujão, ontem, no final da reunião do conselho permanente, que decorreu em Fátima.

Foi esta a fórmula, suficientemente vaga mas firme, que o padre Manuel Morujão utilizou para discorrer sobre a possibilidade de a Igreja vir a assumir uma posição pública de apelo aos católicos para que não votem nos partidos que defendem o casamento entre homossexuais. Uma das propostas inscritas na moção de Sócrates ao congresso do PS, que o líder socialista pretende levar a cabo no próximo mandato, se ganhar as eleições.

Do encontro dos bispos portugueses saiu uma reprovação dura à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, porque “vai dividir os portugueses”, mas também porque “há outras prioridades” com as quais os políticos se deviam ocupar. Como com “a crise”, frisava o secretário da CEP, nomeadamente “dando os apoios de que as famílias precisam para responder aos desafios actuais”.

Anunciando que a CEP irá fazer uma nota pastoral sobre esta matéria, que deverá ser divulgada dentro de duas semanas, o padre Manuel Morujão falou em “ameaça”, ergueu-se em defesa da “dignidade e da decência” e reiterou que “a sociedade não consegue ser ninguém sem as traves mestras que são o casamento e a família”. “As organizações da Igreja movimentar-se-ão, não contra ninguém, mas em favor de uma causa”, assumiu.

PS repudia interferência

Para Vitalino Canas, esta posição da Igreja Católica não é “inesperada”. O porta-voz do PS reconhece mesmo “a participação responsável da Igreja Católica”, mas adverte ao mesmo tempo que “o PS ponderou todos os aspectos de justiça e tem de corresponder a todos os sectores da sociedade portuguesa”.

“Portugal ainda tem um défice de igualdade, que tem de cobrir, criando as condições para que os casais do mesmo sexo tenham direitos iguais”, declarou ao PÚBLICO.

De resto, invocar a crise para chamar os políticos a concentrarem-se nessa prioridade é, para Vitalino Canas, “uma falácia”, porque “os partidos políticos têm de responder a todos os temas”.

E quanto a uma eventual utilização das campanhas eleitorais que se avizinham para a Igreja Católica fazer valer a sua doutrina, o dirigente socialista foi directo: “Os partidos políticos não se metem na religião e do mesmo modo as entidades religiosas não devem fazer apelo ao voto. Será bom que cada instituição fique na sua esfera de influência”.

Mais contundente foi a reacção da JS, ao censurar “a atitude discriminatória da Igreja”, que atinge “sobretudo os mais novos, que têm medo de assumir a sua orientação sexual”. “O que está em causa não é o casamento católico entre pessoas do mesmo sexo, mas o casamento civil”, sublinhou o líder da JS, Duarte Cordeiro, para quem importa cumprir o direito à igualdade, que está consagrado na Constituição.

É também para os direitos constitucionalmente consagrados que a deputada do BE Helena Pinto chama a atenção, considerando, tal como Vitalino Canas, que agitar com a crise não colhe. “A crise é preocupante, exige medidas, mas isso não implica que não se continue a legislar sobre outras matérias”, argumenta a deputa. E devolve para a Igreja a responsabilidade de saber separar águas no ano de todas as eleições. “A campanha para as próximas legislativas é para os partidos políticos debaterem as suas propostas. Não me parece que seja o tempo para a Igreja Católica interferir”, sustenta.

Relançada por José Sócrates, a legalização do casamento entre homossexuais foi objecto, em Outubro, de dois projectos de lei na Assembleia da República: um do BE e outro de Os Verdes, mas ambos foram chumbados.

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A César o que é de César

Tem naturalmente a Igreja Católica, instituição representiva de milhões de ...

PBrito

28.12.2009 10:28

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