Igreja Católica preocupada com impacto social do combate ao défice

29.06.2005 - 16:04 Por Lusa, PUBLICO.PT
A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) manifestou-se hoje preocupada com o impacto social das medidas anunciadas pelo Governo para combater o défice das contas públicas do Estado. Para a hierarquia católica portuguesa, estas medidas "ameaçam penalizar ainda mais aqueles que já são mais sacrificados, pela situação de pobreza ou de falta de trabalho, pela doença e pela desajustada carga fiscal".
Numa nota pastoral divulgada hoje, intitulada "Um olhar de responsabilidade e de esperança sobre a crise financeira do país", a CEP sublinha que nestas "políticas de austeridade, há grupos sociais que precisam de uma atenção particular, porque quando se agravam os seus problemas, agravam-se inevitavelmente os problemas de toda a comunidade".
Os bispos portugueses chamam a atenção para o caso particular dos excluídos, dos mais pobres ou das famílias, que consideram "já tão atingidas por fenómenos como a desagregação ou endividamento insustentável", defendendo a adopção de respostas estruturais e duradouras para o problema das contas públicas.
"As soluções encontradas e propostas têm de ser globais e não particulares, privilegiando aquelas que não se limitam a resolver aspectos imediatos do problema, mas são portadoras de solução a médio e longo prazo", apontam os prelados.
Nesse sentido, a Igreja Católica elogia o "investimento na inovação tecnológica" e numa "economia geradora de emprego", num "contributo de todos para o desenvolvimento colectivo" que "faz de cada cidadão protagonista das soluções", pagando "os impostos justamente distribuídos.
Para a CEP, mesmo não competindo à hierarquia eclesiástica “pronunciar-se sobre questões técnicas de política económico-financeira", o problema das finanças públicas portuguesas trata-se de "um problema grave que afecta toda a comunidade nacional".
Os bispos acrescentam ainda que o Estado não é responsável pela "solução de todos os problemas". De acordo a CEP, esse é um dever também dos "partidos políticos, parceiros sociais, empresas, instituições da sociedade civil e cidadãos".

