A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), da Igreja Católica, irá amanhã confrontar a política e a economia com a “crise ética” que as atinge, durante um seminário em Lisboa. “Verificamos que a dimensão ética da crise nacional e internacional que tem sido claramente secundarizada”, diz ao PÚBLICO Alfredo Bruto da Costa, presidente da CNJP.
“A crise mostra claramente que os paradigmas dominantes nos tempos recentes têm que ser modificados”, diz Bruto da Costa, citando uma intervenção recente do Papa Bento XVI. Uma nova encíclica social está anunciada para terça-feira próxima, depois de ter sido assinada pelo Papa segunda-feira passada.
O presidente da CNJP recorda ainda que, há quase 50 anos, o Papa João XXIII defendia a urgência do conceito de “bem comum mundial”. “Se nessa altura era urgente, hoje é pão para a boca”, diz Bruto da Costa. A representatividade dos países pobres e emergentes numa nova instituição ou numa instituição renovada entre as que já existem é um dos pontos que o presidente da CNJP entende como prioritário. E acrescenta que o papel do Conselho de Segurança da ONU deverá ser repensado, tendo em conta esses factores. Adriano Moreira e José Manuel Pureza intervirão de manhã sobre estes temas.
“Tenho as maiores dúvidas sobre a possibilidade de as pessoas que geriram as instituições que levaram a esta crise, com critérios claramente neoliberais, continuarem responsáveis dessas instituições”, diz o presidente da CNJP.
Duas outras preocupações que o seminário de hoje procurará afrontar são a do ambiente e da “sobrevivência do planeta” e o trabalho como factor “fundamental na construção humana”. “O pensamento da Igreja não tem nada a ver com o que se tem feito no âmbito do trabalho”, diz Bruto da Costa. E instituições católicas como a CNJP devem “sublinhar os grandes valores do trabalho”, diz o presidente da comissão. “Reabilitar o trabalho” é o tema cuja discussão será aberta por Ulisses Garrido.
A iniciativa da CNJP, que surge mês e meio depois do simpósio da Conferência Episcopal sobre “reinventar a solidariedade”, decorre no auditório da estação de metropolitano do Alto dos Moinhos, em Lisboa, entre as 9h30 e as 17h00.


