Dia Mundial da Alimentação

Idosos são os mais afectados por malnutrição

16.10.2009 - 13:26 Por Lusa

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
Um estudo nacional sobre malnutrição alerta que é nos lares e nos hospitais onde este problema é mais detectado e que os idosos são os mais afectados pelo baixo peso.

O estudo NutriAction 2009 - que aferiu, através de inquérito aplicado por profissionais de saúde, o estado nutricional de indivíduos com mais de 18 anos - envolveu 3076 indivíduos, dos quais 354 estavam em lares da terceira idade, 73 em centros de saúde, 243 em hospitais, 2281 em farmácias, 57 em outras instituições e 68 noutros locais.

Apresentado no dia em que se assinala o Dia Mundial da Alimentação, o estudo da Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica revela que 25 por cento dos inquiridos idosos têm baixo peso.

O baixo peso em indivíduos dos 18 aos 64 anos é claramente mais incidente nos hospitais, em que se verifica que 15 por cento dos doentes sofrem deste problema.

Os dados alertam para a prevalência da malnutrição nas diferentes estruturas onde decorreu o estudo - centros de saúde, hospitais, lares e farmácias - e demonstram que é nos hospitais e nos lares que a perda de peso é mais acentuada.

Revelam ainda que mais de 50 por cento dos inquiridos que perderam mais do que 11 quilos não têm qualquer terapêutica para a malnutrição.

O inquérito, que decorreu entre 01 de Março e 05 de Junho, indica ainda que dos 20,4 por cento de indivíduos que perderam peso nos últimos três a seis meses, 48 por cento perderam até cinco quilos e 31 por cento perderam entre seis a dez.

Na totalidade de inquiridos, a diabetes é a patologia com maior prevalência nos centros de saúde, enquanto a hipertensão apresenta maior prevalência ao nível dos lares e das farmácias e nos hospitais é o cancro que prevalece.

Apesar da prevalência destas patologias e da necessidade de devido acompanhamento nutricional, apenas 17,6 por cento da população inquirida recebeu alguma terapêutica, refere o estudo.

A maioria dos que receberam o necessário suporte nutricional encontrava-se em hospitais, as instituições que mais prescrevem terapêuticas para prevenir e tratar o problema.

Em declarações à Lusa, António Messias, da Comissão de Nutrição, afirmou que este estudo veio demonstrar que “a desnutrição é frequente na população geral, mas é muito mais frequente na população idosa”.

“Existe uma elevada percentagem de indivíduos com peso bastante abaixo do normal, quer ao nível da comunidade avaliada nas farmácias e nos centros de saúde, quer ao nível dos lares e dos hospitais”, sublinhou.

O médico atribui esta situação a vários factores, um dos quais a inexistência de um plano de luta contra a desnutrição em Portugal, uma das recomendações do Parlamento Europeu, de Outubro de 2008, e a falta de um rastreio adequado dos registos de nutrição.

Segundo António Messias, a desnutrição aumenta o risco de infecções, atrasa a recuperação e prolonga a hospitalização do doente, piora a qualidade de vida, aumenta a mortalidade e leva a um maior consumo de fármacos.

“A nutrição é uma necessidade básica e, por isso, em Portugal, a intervenção nutricional deverá ser comparticipada para todos os doentes desnutridos ou em risco de desnutrição”, defende a Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica, defendendo que "o problema da malnutrição tem que ser encarado e resolvido, pois tem um impacto cada vez maior em termos de saúde pública e qualidade de vida".

A malnutrição afecta, a nível europeu, mais de 30 milhões de pessoas e tem um custo estimado de 170 mil milhões de euros anualmente.

Estatísticas

  • 16 leitores
  • 0 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1405471

Comentário + votado

X

Mais em Sociedade (18 de 29 artigos)

Greenpeace quer que portugueses castiguem pesca em águas profundas quando compram peixe