Identificação de arguidos e despacho de pronúncia marcam início de julgamento no Tribunal de Monsanto

08.04.2008 - 13:36 Por Lusa
A identificação dos 36 arguidos acusados de crimes de discriminação racial, posse ilegal de armas, distribuição de propaganda nazi, entre outros delitos, e a leitura do despacho de pronúncia marcou o início do julgamento dos elementos de extrema-direita, hoje, no Tribunal de Monsanto, em Lisboa.
Depois da demorada identificação dos arguidos, feita pelo presidente do colectivo de juízes, João Felgar, foram questionados os advogados e os réus sobre se dispensavam a leitura do extenso despacho de pronúncia, algo que Mário Machado, líder dos Portugueses Hammerskins não prescindiu.
Depois de uma breve pausa, cerca das 12h00, o juiz começou a ler os factos e incriminações que pendem sobre os arguidos.
Os 36 arguidos foram pronunciados, a 29 de Novembro de 2007, pela juíza Filipa Valentim de todos os crimes de que vinham acusados pelo Ministério Público, com excepção do delito de farmácia ilegal que foi retirado a Mário Machado, por despenalização do mesmo.
Mário Machado, apontado como o líder do grupo, encontra-se em prisão preventiva desde Abril de 2007, tendo os restantes arguidos ficado sujeitos a medidas de coacção menos gravosas, desde a prisão domiciliária com pulseira electrónica até às apresentações periódicas junto das autoridades.
Alguns dos arguidos, entre os quais Mário Machado, já foram condenados no processo relacionado com o assassínio de um cidadão cabo-verdiano, agredido até à morte por um grupo de skinheads no Bairro Alto, em Lisboa, na noite de 10 de Junho de 1995, e cujo julgamento decorreu também no Tribunal do Monsanto.
Já no âmbito do caso cujo julgamento começou hoje, a procuradora do Ministério Público Cândida Vilar proferiu, a 18 de Setembro de 2007, acusação contra os 36 elementos do Capítulo Português da organização de extrema-direita violenta Hammerskin Nation, pela prática reiterada de crimes de discriminação racial e outras infracções criminais conexas, na sequência de uma investigação da Polícia Judiciária.
O julgamento já tem sessões marcadas para os próximos três dias.

