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Óbitos de bebés no útero estão a deixar grávidas preocupadas

Houve dezenas de mortes fetais em grávidas não-vacinadas

20.11.2009 - 10:44 Por Alexandra Campos, Andrea Cunha Freitas, Romana Borja-Santos

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Não foi estabelecida a relação entre as mortes fetais e a vacina da gripe A Não foi estabelecida a relação entre as mortes fetais e a vacina da gripe A (Mário Augusto Carneiro)
Os principais hospitais e maternidades portugueses registaram desde o início de Outubro dezenas de mortes fetais em grávidas não-vacinadas contra a gripe A, de acordo com dados que o PÚBLICO recolheu junto das unidades. Os números são mesmo muito superiores às duas mortes fetais tardias e ao aborto espontâneo registados nos últimos dias em mulheres vacinadas e que geraram grande preocupação sobre a segurança da imunização entre as futuras mães.

O Ministério da Saúde afirma que não possui dados organizados deste assunto específico, mas, pelo que foi possível perceber, a maioria dos hospitais e maternidades contactados possui registo de mortes fetais em mulheres não-vacinadas. Só no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, desde o início de Outubro, ocorreram 11 mortes fetais após as 22 semanas de gestação: cinco em Outubro e seis em Novembro. No caso do Hospital de São João, no Porto, o número refere-se a óbitos de fetos no útero após as 28 semanas no mesmo período e fica-se pelos três registos (em igual período dos três anos anteriores foram quatro). A campanha nacional de vacinação só arrancou a 26 de Outubro.

A propósito das mortes fetais e do aborto em grávidas recém-vacinadas, o director do serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Santa Maria insiste que a vacina é segura e contrapõe com os casos das 12 grávidas que em todo o país precisaram de ficar ventiladas depois de terem sido infectadas com a nova estirpe do H1N1. "Há um bebé saudável que corre o risco de ficar órfão e é uma situação que poderia ter sido evitada pela vacina", exemplifica Luís Graça. "É legítimo o medo, mas, neste momento, nada liga a vacina à morte dos fetos", diz.

No Hospital Amadora-Sintra contabilizaram-se duas mortes em cada mês. No Hospital Garcia de Orta só foi possível obter uma média situada entre as 30 a 40 mortes fetais por ano e nada indica que o comportamento dos meses de Outubro e Novembro tenha sido atípico. O director do Serviço de Obstetrícia desta unidade lamenta, por isso, que haja "um grande receio entre as grávidas". Manuel Hermida lembra que vão ocorrer mais mortes em fetos de recém-vacinadas, que aconteceriam na mesma porque "a causa é outra". Na Maternidade Júlio Dinis, no Porto, o director, Paulo Sarmento, diz que se verifica uma média de 1,5 casos por mês. E na Maternidade Bissaya Barreto, em Coimbra, houve cinco casos de mortes fetais este ano, mas a última foi em Junho.

Já quando se fala em abortos espontâneos (que ocorrem antes das 22 semanas de gravidez), os números são muito mais elevados. "Cerca de 15 por cento das gravidezes terminam em abortamentos espontâneos e em muitos casos as grávidas nem se dão conta", frisa Silva Carvalho, presidente do colégio da especialidade de Ginecologia/Obstetrícia da Ordem dos Médicos. Registados na Direcção-Geral da Saúde são mais de nove mil por ano (dados de 2007).

Portugal soma dois casos de mortes fetais tardias em grávidas vacinadas contra a gripe A. Contudo, em nenhum das situações (uma às 33 e outra às 34 semanas) foi possível estabelecer uma relação entre a morte e a vacina. Os resultados finais das autópsias ainda continuam por conhecer, mas as avaliações preliminares dão conta de que, em ambos os casos, terá acontecido uma anoxemia aguda, isto é, a falta de irrigação sanguínea do feto de forma repentina.

O primeiro caso ocorreu sábado no Hospital de Portalegre e o segundo segunda-feira no Hospital CUF Descobertas, em Lisboa. As mulheres eram acompanhadas e as gravidezes decorriam sem complicações. As duas manifestaram os mesmos sintomas: um súbito aumento dos movimentos fetais e, depois, uma redução acentuada. Na quarta-feira também chegou a ser avançada a existência de um terceiro caso no Hospital de Leiria. Mas a unidade esclareceu que a grávida tinha sido vacinada a 2 de Novembro e perdeu o bebé às 20 semanas de gestação, "tratando-se de um aborto".

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Os "media" é que têm culpa

É legítimo afirmar que a maioria dos boatos e calúnias têm uma só origem: ...

Paulo Coimbra

20.11.2009 11:16

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