O antigo Hospital de Cascais está desactivado desde Fevereiro de 2010, após ter sido substituído por um novo, mas não só continua a ter um conselho de administração de dois elementos no activo como ficou com 16 médicos e técnicos de diagnóstico e terapêutica que o grupo privado que o substituiu não quis e que continuaram a ser remunerados sem exercerem funções.
A informação foi confirmada ontem ao PÚBLICO pelo presidente do conselho de administração do centro hospitalar que integrava o antigo hospital, Jorge Abreu Simões. Apenas dois profissionais se mantêm nesta situação.
O novo Hospital de Cascais, gerido em parceria público-privada pelo grupo HPP Saúde, abriu em Fevereiro de 2010. O PÚBLICO noticiou ontem que os dois administradores que têm estado a tratar da liquidação do que resta do património da unidade integrada no Centro Hospitalar de Cascais continuam há quase dois anos a receber salário, cerca de seis mil euros ilíquidos mensais em conjunto.
Mas além dos administradores, o antigo centro hospitalar manteve também um quadro de pessoal que esteve a ser remunerado sem estar a exercer funções. Quando o novo hospital arrancou, o grupo privado absorveu o quadro da anterior unidade menos estas 16 pessoas - cerca de metade são médicos e os outros técnicos de diagnóstico e terapêutica -, porque decidiu subcontratar estes serviços no exterior - uma situação que o contrato de parceria público-privada permitia, explica Abreu Simões.
Desde Março do ano passado que os dois administradores do ainda Centro Hospitalar de Cascais têm tentado reenquadrar este pessoal, todos com contrato público, noutros hospitais públicos. Mas a tarefa não tem sido fácil. "Têm que ter vagas e instituições dispostas a recebê-los. Os hospitais não receberam pessoas porque não havia condições financeiras e lugares em aberto."
Mesmo assim, Abreu Simões explica que muitos foram enquadrados noutros hospitais públicos ainda em 2010. "Neste momento temos duas pessoas por reintegrar: uma médica e uma técnica. Estamos a fazer nova ronda para reafectar estas duas pessoas." O responsável não especificou os salários de que auferem.
O actual Governo entrou em funções em Julho, mas a portaria de extinção do centro hospitalar foi enviada apenas há cerca de duas semanas para o Ministério das Finanças, para que seja publicada em Diário da República. Além do antigo hospital no centro da vila, o Centro Hospitalar de Cascais integra o Hospital Ortopédico Dr. José de Almeida, em Carcavelos, também fechado e que foi vendido.


