Hospital esclarece que doente morreu por “infecção bacteriana” e não por gripe A

24.09.2009 - 11:05 Por Lusa
O director clínico do Hospital de Santo António afirmou hoje que o quadro clínico do doente que quarta-feira morreu nesta unidade de saúde "nunca foi sugestivo de gripe A" e que a causa do óbito, confirmada laboratorialmente, foi "infecção bacteriana".
"O doente faleceu de uma infecção bacteriana disseminada, tecnicamente chamada sépsis, e não de gripe A", realçou Paulo Barbosa, em conferência de imprensa naquela unidade de saúde do Porto, que contou também com a presença da directora da Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente do Santo António, Irene Aragão, e do secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro.
O director clínico do hospital explicou que o doente - emigrante em França, transplantado ao rim há cerca de 15 anos e que se encontrava de férias em Portugal - deu entrada no Santo António com "um quadro de sépsis, com foco infeccioso de origem abdominal, posteriormente complicado por pneumonia de etiologia bacteriana".
"O doente veio a falecer na Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente, em consequência de falência multiorgânica. Acresce ao quadro apresentado o facto de este doente ter estado internado num serviço onde foi diagnosticada gripe A num doente e num profissional de saúde, razão pela qual, de acordo com as medidas de actuação e prevenção previstas nessas circunstâncias, foi iniciado o acompanhamento específico a todos os doentes e profissionais de saúde do serviço, bem como aos potenciais contactos identificados", frisou o clínico.
Neste âmbito, acrescentou, realizou-se a despistagem do vírus H1N1 em alguns doentes. "No caso do doente em causa, o teste foi positivo para o referido vírus, sem evidência clínica clara de sintomatologia vírica", adiantou. "Na análise da situação realizada pelo Comissão de Controlo da Infecção comprovou-se não ter existido contacto próximo entre este doente e os outros dois casos de gripe verificados no serviço", disse ainda Paulo Barbosa, sem conseguir identificar o momento em que o doente teve contacto com o vírus, nem se tal contacto ocorreu dentro ou fora do hospital.
O responsável salientou que "a evolução do quadro clínico do doente foi inequivocamente associada a sépsis pelo referido agente bacteriano" e que "o doente apresentava um quadro de imunodepressão grave, que infelizmente e com alguma frequência, tem evolução desfavorável". Também a directora do serviço da Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente, Irene Aragão, deixou claro que "o doente em causa não morreu de gripe A".
"Este senhor não veio aos serviços de saúde porque tinha sintomas de qualquer espécie de gripe. Era um senhor que já estava em tratamento - tinha feito transplante - e que apresentava um risco acrescido para todo o tipo de infecções", realçou. O homem já tinha sido internado no fim de Julho em França (onde estava emigrado) com uma peritonite (uma infecção abdominal) a que foi tratado cirurgicamente. "Quando vem para Portugal de férias, nesse pós-operatório, quatro ou cinco dias depois, o quadro clínico agravou-se e é novamente a infecção abdominal que o traz cá", explicou.
Sobre a hipótese de ter sido contaminado no Santo António, a responsável disse: "A única coisa que podemos dizer é que ele tinha uma serologia positiva para o H1N1, mas tinha também bacteriologia para uma porção de agentes que normalmente matam os doentes imunodeprimidos."
Mais de 2200 novos casos de síndrome gripal foram diagnosticados entre 14 e 20 de Setembro, dos quais duas dezenas resultaram em hospitalizações, segundo o Ministério da Saúde. Dos 20 doentes hospitalizados, oito estiveram em unidades de cuidados intensivos, sendo que cinco estavam internados na semana anterior.
Notícia corrigida às 15h26

