Hospital de São João abre inquérito a cirurgias estéticas a funcionárias da unidade 
03.05.2008 - 16:59 Por PÚBLICO
A direcção do Hospital de São João, no Porto, vai abrir um inquérito interno à realização de cirurgias estéticas para aumento mamário a funcionárias da unidade hospitalar, uma situação que foi detectada durante uma auditoria e que está a ser alvo de uma investigação da Inspecção-Geral de Saúde (IGAS).
O director clínico do hospital, António Oliveira Silva, considerou, em declarações à TSF, que é “completamente inaceitável” se se vier a confirmar que houve um favorecimento de funcionárias pelo serviço de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva da unidade.
O semanário “Sol” avança hoje que o hospital realizou cirurgias plásticas em funcionárias da unidade, na sua maioria para reduzir ou aumentar o peito, e que algumas dessas mulheres estavam inscritas na lista de espera como os restantes doentes ou eram operadas quando faltava um doente para outra operação qualquer.
A situação foi detectada quando a IGAS verificou um número anormal de doentes a quem tinham sido feitas cirurgias mamárias e que entre esses doentes se encontravam funcionárias do São João.
Ao semanário o director do serviço de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva do São João, José Amarante, defendeu que “é natural que haja funcionárias ou familiares de funcionários” a fazer a operação, argumentando que aquele hospital é o único da região norte com este serviço.
A ministra da Saúde, Ana Jorge, escusou-se a comentar o caso, afirmando que apenas fará declarações quando estiver concluído o relatório da IGAS, que irá também investigar serviços semelhantes nos outros hospitais do país. "Se a Inspecção está a analisar, vamos aguardar o relatório e veremos o que há a fazer a seguir", afirmou Ana Jorge, admitindo só agora ter tido conhecimento da situação.
À TSF, o bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, lamentou que não existam regras para a realização de cirurgias plásticas, sublinhando que esse facto que a Inspecção-Geral de Saúde possa actuar em casos como o hoje divulgado.
Pedro Nunes considera que “enquanto não houver essa definição, cabe a cada médico ou, em última análise, ao director de serviço decidir o que se faz no serviço”.
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