Hospital de Gaia oferece aos utentes cirurgia com laser para problemas de visão

19.06.2006 - 10:55 Por Andréia Azevedo Soares
O Serviço de Oftalmologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia - a partir de hoje a funcionar em instalações renovadas, após um ano de obras orçadas em 1,5 milhões de euros - será o primeiro do sector público administrativo do Norte a oferecer a cirurgia refractiva com laser.
O objectivo, explicou ao PÚBLICO António de Sousa Nunes, director do serviço, é democratizar o acesso à técnica que permite dizer adeus aos óculos ou às lentes de contacto. Esta operação realizada hoje sobretudo em clínicas privadas, por preços superiores a quatro mil euros, está agora ao alcance dos utentes com idades compreendidas entre 20 e 45 anos a título gratuito.
O aparelho necessário para a realização da cirurgia refractiva custou 740 mil euros, devendo chegar em breve à unidade de saúde de Gaia, localizada no monte da Virgem. Nos cálculos de Sousa Nunes, o serviço terá capacidade para realizar uma média de 600 cirurgias por ano dentro de cinco anos, quando se pretende alcançar "uma velocidade de cruzeiro".
"Seria possível amortizar os custos de aquisição do equipamento, tendo em conta que o subsistema de saúde paga 1765 euros por olho, em cerca de três ano e meio", avalia o médico, baseado num estudo económico realizado previamente.
Quem depende de um par de óculos ou de lentes de contacto para ver sabe que, por vezes, estas extensões do nosso corpo dão algum trabalho. Podem danificar-se, exigem cuidados de limpeza e implicam custos de manutenção - isto para não dizer que fazem imensa falta quando saímos do mar e não conseguimos localizar os nossos amigos no areal.
Sousa Nunes acredita que a cirurgia refractiva não é hoje um luxo, mas sim "um direito" dos utentes. Corrigindo problemas como a miopia, o astigmatismo ou a hipermetropia, defende o médico, os pacientes ganham em qualidade de vida e poupam para o resto da vida na compra de novas próteses ou produtos de manutenção.
O Ministério da Saúde incluiu em Fevereiro de 2003 esta técnica na lista de intervençõs comparticipadas pelos subsistemas - a ADSE, por exemplo -, assim como as companhias de seguros já cobrem uma parte significativa dos custos desta cirurgia de ambulatório. Sousa Nunes estima, segundo informação da indústria fornecedora, que haja cerca de 25 centros de cirurgia refractiva instalados no país, que efectuam cerca de 18 mil operações por ano.
Apesar de reconhecer que o investimento inicial é elevado, o clínico está convicto de que é urgente "corrigir as assimetrias do acesso às altas tecnologias de saúde". Outros três estabelecimentos públicos já adoptaram esta tecnologia: os Hospitais da Universidade de Coimbra, o Centro Hospitalar do Médio Tejo, em Tomar, e o Instituto Oftalmológico Gama Pinto, em Lisboa.
Salas com novo mobiliário e climatização
As obras de reformulação do serviço custaram cerca de 1,5 milhões de euros, valor sustentado pelo conselho de administração e que não inclui o milhão de euros assegurado pelo programa Saúde XXI. Este financiamento comunitário permitiu a constituição da consulta de rastreio, diagnóstico e tratamento médico-cirúrgico de retinopatia diabética, assim como a aquisição de equipamento clínico e informático e material para as três salas do bloco operatório.
Quando chegarem hoje aos seus postos de trabalhos, os 38 funcionários do Serviço de Oftalmologia - dos quais sete são médicos - encontrarão instalações "pintadas de fresco" com tons claros. Todas as divisões foram equipadas com novo mobiliário e sistema de climatização e renovação de ar.
A sala de espera, por exemplo, foi decorada com imagens de olhos de pessoas de diversas idades, culturas ou religiões. O espaço contíguo está destinado às crianças: sobre uma mesa plástica colorida, há lápis de cera, papel e brinquedos para que os pacientes com menos de um metro de altura possam entreter-se até à hora da consulta. "Temos até o Noddy nas paredes", brinca Sousa Nunes, durante uma visita guiada.

