Os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) não usavam o Avastin, medicamento que tem sido associado ao problema de cegueira registado em seis pessoas no Hospital Santa Maria, mas não se opõem à sua utilização.
"Não temos nada contra a droga. É utilizada nos melhores serviços do mundo e tem salvo a visão a milhões de pessoas", realçou Joaquim Murta, director do Serviço de Oftalmologia - Clínica Oftalmológica dos HUC.
Segundo o responsável, o Avastin (nome comercial da substância activa Bevacizumab) é utilizado regularmente para tratar os doentes com problemas oftalmológicos na clínica privada onde ele e outros especialistas desenvolvem actividade. Os HUC optam por fármacos com características similares alternativos ao Avastin "por uma questão de política do serviço", devido a contratos que foram feitos, e por "opção científica", dado estarem envolvidos em estudos internacionais.
O Serviço de Oftalmologia dos HUC tem vindo a utilizar como alternativas ao Avastin o Macugen e o Lucentis, explicou Joaquim Murta. No entanto, segundo o clínico, esses contratos são renegociados anualmente, e nada obsta a que o serviço que dirige não venha a utilizar o Avastin na actividade clínica.
No entendimento de Joaquim Murta, os casos de cegueira registados em seis doentes no Santa Maria, e que se associam à administração do Avastin, estarão relacionados com algo que tenha acontecido durante o "acto cirúrgico". Escusando-se a pormenorizar, justificando com o inquérito em curso para a avaliação das causas dos incidentes no Santa Maria, o especialista voltou a frisar que o Aventis é um medicamento de utilização corrente em todo o mundo.


