Um proprietário de uma capoeira de Santa Maria da Feira, onde várias galinhas apareceram mortas, está internado desde ontem no Hospital de São Sebastião como "medida de diagnóstico precoce e protecção", já que apresenta sintomas de uma "banal constipação", segundo o director do hospital, Hugo Meireles. O Instituto Ricardo Jorge deverá divulgar hoje os resultados das análises a que foi submetido o indivíduo.
Hugo Meireles disse à agência Lusa que "apenas para sossegar o doente, e para não provocar alarme, foi administrado ao doente uma dose de Tamiflu", o medicamento que trava o avanço da estirpe H5N1 da gripe das aves.
O homem, com cerca de 60 anos de idade, deu entrada no hospital com uma "banal constipação", mas estava assustado devido à coincidência dos seus sintomas com a morte das galinhas. O "doente está isolado e não tem qualquer sintoma de alarme", afirmou Hugo Meireles.
Francisco George garantiu "não estar muito preocupado" com este caso. "Constato que os mecanismos adoptados estão a funcionar", disse, recordando que até ao momento não surgiu em Portugal qualquer tipo de contaminação pela gripe das aves.
"Os portugueses não vão ter problemas no imediato. Em Portugal não há qualquer sinal de que a gripe das aves tenha chegado nem há qualquer medida de protecção a ser tomada", garantiu.
O director-geral de Saúde deixou claro que neste momento "os portugueses podem comer os derivados de aves, ovos inclusive", visto não haver, em termos sanitários, "qualquer restrição".
Ontem, doze gansos-patola e cinco gaivotas foram encontrados mortos numa praia, em Peniche. O Laboratório de Investigação Veterinária recolheu as aves para análise, cujos resultados serão conhecidos hoje.
O ministro da Agricultura, Jaime Silva, estimou que um eventual foco de gripe das aves numa zona de Portugal com grande concentração de aviários, como a Beira Litoral, poderá custar ao país 17 milhões de euros.
O vírus da gripe das aves tem uma estirpe particularmente virulenta. Trata-se da estirpe H5, subtipo N1, que já matou mais de 60 pessoas na Ásia e motivou o abate de milhões de aves desde 2003.
Foram detectados focos da doença em aves na Rússia e na Croácia. Pensou-se que o vírus estaria presente na Roménia, mas essa hipótese não se confirmou. No Reino Unido, confirmou-se a existência de um papagaio infectado com o H5N1, mas a ave chegou ao país no âmbito de um lote de aves importadas e morreu ainda em quarentena, pelo que não figura oficialmente como um caso britânico. Na Europa não se registou qualquer caso em seres humanos.


