Homem acusado de ter morto Mari Luz Cortés andava fugido da polícia desde 2006

27.03.2008 - 17:10 Por PÚBLICO
Dez anos depois de ter cometido os primeiros abusos sexuais sobre uma filha, Santiago del Valle Garcia, o homem acusado de ter raptado e morto a pequena Mari Luz Cortés, em Huelva, ainda não tinha sido preso. Fugia da justiça há três anos, conta no seu site o diário espanhol "El Mundo".
Santiago del Valle tinha já sido condenado a uma pena efectiva de dois anos e nove meses por um tribunal de Sevilha em 2002 depois de ter sido provado que tinha abusado sexualmente da sua filha, de apenas cinco anos. Mas nunca chegou a ser preso porque estava dado como residente em parte incerta. Depois acabaria por pedir recurso da sentença, o que permitiu adiar o cumprimento da pena de prisão. Chegou a acusar um professor de ginástica da filha de ter sido o autor dos abusos. Chegou a pedir a esse professor 60 mil euros de indemnização e forjou um documento médico que davam o professor como culpado.
Mas em 2005 a sentença foi confirmada e Santiago del Valle não teve outra saída senão fugir à justiça. Mudou inúmeras vezes de residência e foi de novo dado como desaparecido.
A mulher de Santiago del Valle, Isabel Garcia, condenada por cumplicidade nos abusos, foi condenada a 15 meses de internamento num hospital psiquiátrico penitenciário. Mas a sentença foi substituída por quatro meses de multa. As duas filhas do casal, hoje com 15 e nove anos, foram retiradas ao casal e entregues às autoridades da Andaluzia que tutelam ainda a guarda das menores, entregues a famílias de acolhimento.
Durante o tempo em que andou fugido tentou várias vezes abusar de outras crianças: nas Astúrias e de novo em Sevilha. Neste último caso voltou a ser ouvido em tribunal e condenado a mais dois anos de cárcere.
A falta de eficácia da justiça em todo o processo, denunciada agora pelo “El Mundo” e pela agência espanhola EFE, motivou já a abertura de um inquérto para apurar a razão de tal inoperância das autoridades. Segundo o "El Mundo", o Conselho Geral do Poder Judicial decidiu abrir um inquérito para averiguar a eficácia da actuação judicial em relação a este caso de Santiago del Valle.
Santiago del Valle, que foi ouvido hoje num tribunal de Huelva, foi recebido, à chegada ao tribunal, por uma multidão em fúria que o apedrejou e o chamou de assassino. Era escoltado por uma brigada anti-motim e vários carros da polícia.
A sua mulher, ouvida ontem, ficou em liberdade com termo de identidade e residência.

