Data simbólica assinalada pela ONU

Hoje seremos sete mil milhões de habitantes

31.10.2011 - 00:02 Por Clara Barata, Ricardo Garcia

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Ninguém sabe ao certo onde nascerá o bebé sete mil milhões Ninguém sabe ao certo onde nascerá o bebé sete mil milhões (Carlos Barria/Reuters)
A população mundial chega hoje à marca dos sete mil milhões de habitantes, segundo os cálculos das Nações Unidas. Ninguém será capaz de dizer onde irá nascer o bebé que assinalará a subida de mais este degrau na escala demográfica. A ONU aposta que será em Uttar Pradesh, o estado mais populoso da Índia, onde nascem 11 crianças por minuto.

A própria ONU não deverá, no entanto, fazer o mesmo que em 1999, quando o então secretário-geral Kofi Annan pegou ao colo aquele que foi apontado como o bebé seis mil milhões, na Bósnia-Herzegovina. A ONU insistia que a presença de Kofi Annan em Sarajevo, naquele ano, era uma coincidência feliz. Mas era impossível não pensar que havia um conteúdo político no acto, após uma década de guerra na ex-Jugoslávia.

As previsões demográficas têm sempe um grau de incerteza. “Mesmo o melhor dos censos tem uma margem de erro de três por cento”, afirma Álvaro Serrano, coordenador da campanha “Sete Mil Milhões de Acções”, lançado pelo Fundo das Nações Unidas para a População.

Mesmo um por cento de margem de erro – admitido nas previsões demográficas da ONU – significa que o bebé sete mil milhões tanto pode nascer hoje, como ter nascido há seis meses ou vir a nascer até Abril de 2012. O Departamento de Censos dos Estados Unidos – uma das principais fontes de dados demográficos mundiais, além da Divisão de População das Nações Unidas – prevê para Março do próximo ano a meta dos sete mil milhões.

Ainda assim, com base na sua melhore estimativa, a ONU decidiu assinalar simbolicamente hoje – com uma conferência de imprensa do secretário-geral Ban Ki-moon esta tarde, em Nova Iorque – a chegada a um novo patamar da população mundial.

Contagem decrescente
A contagem decrescente começou há 10 meses, no 19.º andar de um arranha-céus de Manhattan, o número 2 da Praça das Nações Unidas. Uma equipa de cinco demógrafos de várias nacionalidades, cada um encarregado de 40 países, territórios e áreas, começou a recolher e trabalhar dados –incluindo do Afeganistão, onde não se realiza um censo desde que a União Soviética invadiu o país, em 1979.

Se 2011 for o ano certo para este novo marco, a população global então terá aumentado mil milhões de habitantes em apenas 12 anos. Os primeiros mil milhões assinalaram-se em 1804 e os demais saltos deram-se em 1927 (123 anos depois), 1960 (33 anos) e 1974 (14 anos), 1987 (13 anos) e 1999 (12 anos).

Depois da explosão demográfica do século XX, o ritmo de aumento está a abrandar. Ainda assim, a população mundial deverá chegar a 9,3 mil milhões em 2050 e aos 10 mil milhões em 2100, segundo as mais recentes projecções da ONU.

A escalada populacional ocorrerá quase que exclusivamente no mundo em desenvolvimento, em particular nas nações onde as mulheres ainda têm muitos filhos – 39 países em África, nove na Ásia, seis na Oceania e quatro na América Latina.

A curto prazo, a Índia irá ultrapassar a China, tornando-se o país mais populoso do mundo. Quanto à China, enfrentará a médio prazo o problema do envelhecimento. Por ora, ainda tem a maior fatia de população activa do mundo (74,5%), o que tem sido um factor decisivo para o seu crescimento enconómico entre 1965 e 2005.

Mas esse período está a acabar, por causa da política de filho único seguida desde os anos 70. A preferência por filhos do sexo masculino levou também a uma grave distorção nos nascimentos: 118 rapazes para cada 100 raparigas, quando a taxa natural ronda 104 meninos por 100 meninas.

"Os homens vão casar-se numa idade mais avançada, mas arriscam-se também a ficar solteiros, em países onde quase todos costumavam encontrar uma esposa", sublinhou o demógrafo Christophe Guilmoto, do Instituto de Investigação para o Desenvolvimento francês, citado pela agência AFP.

Se os cenários da ONU se mostrarem certos, a população mundial chegará aos oito mil milhões dentro de 13 anos, em 2024.




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Não é de estranhar que as previsões de tão conceituadas organizações não tenham coincidido, ...

Carlos Carvalho

31.10.2011 10:43

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