Três milhões dos quase 16 milhões de toxicodependentes (consumidores de drogas por via endovenosa) poderão estar infectados com HIV. Esta é a conclusão do relatório de uma equipa de investigadores da Universidade de New South Wales (Austrália), publicado na edição do britânico "The Lancet". O estudo trata os dados de nove países e concluiu que mais de 40 por cento dos consumidores de drogas injectáveis serão portadores do vírus e que os casos estão a aumentar. As taxas variam entre os 41.4 por cento no Nepal e os assustadores 72,1 por cento declarados na Estónia.
A partilha de agulhas continua a ser uma das explicações para o aumento de casos entre toxicodependentes, dizem os investigadores que falam no insucesso das políticas de prevenção e manifestam a sua preocupação com a inexistência de dados sobre os países do continente africano.
Na pesquisa efectuada os autores notam ainda a maior incidência de consumidores de drogas injectáveis encontra-se em países como a China, Rússia e Estados Unidos. Na Europa, destaca-se a Itália com 0,83 da população entre os 15 e 64 anos a consumir drogas por via endovenosa.
Em Portugal, o último relatório da Coordenação Nacional para a Infecção HIV/Sida (referente a 2007) refere-se ao problema: “verifica-se que o maior número de casos notificados (“casos acumulados”) corresponde a infecção em indivíduos referindo consumo de drogas por via endovenosa ou “toxicodependentes”, constituindo 43,9 por cento de todas as notificações, reflectindo a tendência inicial da epidemia”.


