Habitantes de Arcos de Valdevez manifestam-se contra fecho das urgências

28.02.2007 - 08:33 Por Lusa
Os habitantes de Arcos de Valdevez vão manifestar-se hoje contra o encerramento do serviço de urgência do centro de saúde do concelho. Pelos mesmos motivos, o líder da concelhia do PP iniciou ontem uma greve de fome.
A manifestação — uma marcha lenta entre a câmara e o centro de saúde, em que deverão participar munícipes de cada uma das 51 freguesias do concelho — pretende ser um sinal ao ministro da Saúde, Correia de Campos, de que a população da zona não quer a transferência do centro de saúde para Ponte de Lima.
"Saberá por acaso o senhor ministro [da Saúde] que Arcos de Valdevez tem 450 quilómetros quadrados e que algumas freguesias ficam a mais de 50 quilómetros da sede do concelho?", questionou Rui Aguiam, presidente da Junta de Freguesia de Arcos.
O responsável acrescentou que o Centro de Saúde de Arcos de Valdevez "tem muito melhores condições" do que o de Ponte de Lima, para onde está previsto o serviço de urgência que deverá passar a servir os dois concelhos.
"Tenho a certeza de que se o senhor ministro morasse em Arcos de Valdevez o serviço de urgência que cá existe nunca fecharia", afirmou.
A Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências apresentou recentemente uma proposta que, no caso do Alto Minho, aponta para um serviço de urgência médico-cirúrgico no Hospital de Viana do Castelo e dois serviços de urgência básica (SUB) — um em Ponte de Lima e outro em Monção.
"Porquê um SUB em Ponte de Lima, quando este concelho está a apenas 20 quilómetros de distância do Hospital de Viana do Castelo?", insurgiu-se Rui Aguiam.
O presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, Francisco Araújo (PSD), também já manifestou "total e veemente oposição" à pretensão do Governo de encerrar as urgências do centro de saúde local.
"É uma medida inaceitável, incompreensível e extremamente lesiva dos interesses dos cerca de 25 mil habitantes do concelho, pelo que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para evitar que ela seja posta em prática", referiu à Lusa o autarca de Arcos de Valdevez.
Para o responsável, o encerramento das urgências de Arcos de Valdevez significaria "um duro golpe" para aquela região do interior e "um total desrespeito" pelas suas populações.
"As políticas de coesão nacional e de discriminação positiva das regiões mais desfavorecidas são, cada vez mais, ideias que pertencem ao passado", sustentou, sublinhando "o direito à indignação" da população do concelho.

