Há uma rede de roubo de gado a operar no país, denunciam bovinicultores

02.06.2010 - 16:12 Por Samuel Silva
A Associação Nacional de Engordadores de Bovinos (ANEB) diz ter identificado alguns dos responsáveis por uma alegada rede de furto e abate de gado a operar em todo o país. Além dos prejuízos económicos, está em causa um problema de saúde pública.
Há duas semanas, os bovinicultores conseguiram descobrir, numa exploração agrícola de Trás-os-Montes, vários animais que tinham sido roubados na zona centro. Na manhã desta terça-feira estiveram reunidos com responsáveis do Ministério da Agricultura para os alertarem para o problema.
Os furtos têm ocorrido, nos últimos dois anos, sobretudo nos distritos de Setúbal, Leiria, Santarém, Évora e Beja. Mas, nos últimos meses, aumentaram de frequência ao ponto de a ANEB afirmar que serão cerca de 100 as cabeças de gabo roubadas mensalmente no país. “São furtos sistemáticos e de grandes dimensões”, avança João Afonso, advogado que representa os produtores. “Há camiões que entram nas explorações e são totalmente carregados com animais furtados”, explica o jurista.
Além dos prejuízos que esta prática tem provocado para os produtores, estes denunciam também as consequências que a actividade desta alegada rede pode ter para a saúde pública. “O abate dos animais furtados é feito clandestinamente e sem controlo sanitário”, afirma João Afonso.
Os bovinicultores reuniram-se com responsáveis da Direcção Regional de Veterinária do Norte (DRVN) para discutir o problema. Há duas semanas, os produtores conseguiram identificar pela primeira vez o alegado receptador dos animais furtados. Mais de 20 bovinos roubados em Porto de Mós e Montemor-o-Novo foram localizados numa exploração agrícola de Vila Real.
Os animais encontram-se sob sequestro da DRVN que entende que deve abatê-los. Os bovinicultores contestam a decisão, porque esta implicaria o arquivamento da investigação que o Ministério Público está a realizar. “Se queremos desmantelar esta rede criminosa, necessitamos que os animais sejam entregues aos seus proprietários”, afirma João Afonso.
A ANEB acusa mesmo a Direcção Regional de Veterinária de não cumprir decisões judiciais que obrigavam à entrega dos bovinos e de, com essa atitude “criar condições para que o abate ilegal de animais e o mercado paralelo de animais furtados mantenha uma forte expressão no Norte do país”.
Este caso está a ser investigado pelo Ministério Público dos tribunais de Porto de Mós e Montemor-o-Novo, mas em Setúbal, Cartaxo e Benavente correm também processos semelhantes, alegadamente ligado à mesma rede denunciada pela ANEB.

