Preferem não ter um filho a aceitar um embrião estranho

Há dadores, mas ainda não houve doação para outros casais

06.02.2011 - 09:33 Por Catarina Gomes

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A lei permite que os embriões criopreservados que não forem usados em tratamentos pelo casal possam ser doados a casais inférteis, mas esta hipótese nunca se concretizou, garante o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, Calhaz Jorge.

"Não há candidatos, em 99,9 por cento dos casos um dos elementos do casal consegue comparticipar" com o ovócito ou o espermatozóide.

António Pereira Coelho, director da Clifer, em Lisboa, e um dos pioneiros da procriação medicamente assistida em Portugal, diz que nunca teve um casal que quisesse doar ou receber, embora já tenha proposto essa hipótese a cerca de meia dúzia. "Com facilidade, aceitam ovócitos e espermatozóides, mas não embriões. Pensam que lhes são geneticamente alheios". Quando esta é a única hipótese que lhes é dada para poderem tentar ter um filho, "preferem não engravidar". O médico afirma que poderá vir a existir uma alternativa. "Com a vitrificação de óvulos, estes problemas não se colocam", nota. Há muito que se congelam espermatozóides e embriões, mas a congelação de óvulos é um dos mais recentes desafios nesta área da Medicina. Esse processo já é oferecido em Portugal, mas ainda não está generalizado porque existe polémica em relação à sua fiabilidade.

Cândido Tomás, presidente da Ava Clinic, em Lisboa, responde que apenas cerca de cinco a seis por cento dos casais autorizam a doação para outros casais, sendo mais raro aceitarem que os embriões sejam usados para investigação.

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