Num ano de funcionamento, o Centro Anti-Discriminação recebeu três casos de seropositivos despedidos por denúncia do médico de trabalho e três casos de discriminação em meio hospitalar de pessoas portadoras de VIH
Em declarações à agência Lusa, Pedro Silvério Marques, um dos responsáveis do Centro criado em Fevereiro de 2010, considerou que o “mais chocante” dos cerca de 30 casos recebidos diz respeito a queixas de discriminação no sistema de saúde e de más práticas na medicina do trabalho.
Uma das situações, que envolveu um doente seropositivo internado num hospital devido a um acidente de automóvel, seguiu já para a Inspecção das Actividades em Saúde.
Segundo Pedro Silvério Marques, eram dadas indicações na cozinha do hospital para que este doente fosse servido em pratos e com talheres descartáveis.
Outra situação nos serviços de saúde, que acabou por ser resolvida sem queixa formal, foi a de um dentista que se recusava a receber um paciente seropositivo.
Os “três ou quatro casos” de despedimentos a pessoas seropositivas recebidos pelo Centro Anti-Discriminação envolveu queixas sobre os profissionais da medicina de trabalho.
“Embora o colégio da especialidade tenha instruções muito específicas, há profissionais que não respeitam. Os médicos do trabalho podem considerar as pessoas aptas ou não aptas, mas não podem comunicar se são seropositivas”, explicou Pedro Silvério Marques.
A grande maioria das pessoas que contacta o Centro Anti-Discriminação (através da linha de apoio 707 240 240) precisa de desabafar, mas acaba por não querer avançar com processo jurídico.
“Não querem acrescentar o estigma de avançar com o processo jurídico em que a sua identidade pode não estar totalmente assegurada”, justifica o responsável do Centro.
Um ano depois de ter sido lançada esta iniciativa, Pedro Silvério Marques admite que só no último mês é que o Centro está mais estruturado.
“Agora vamos avançar com nova divulgação da linha telefónica em todos os centros de atendimento a pessoas seropositivas”, disse.
O Centro Anti-Discriminação tem como principal objectivo diminuir o estigma em relação às pessoas infectadas ou afectadas pela infecção do VIH.


