Há cada vez mais casos em que não é possível identificar origem da infecção com gripe A

06.08.2009 - 09:42 Por Alexandra Campos, Lusa
Os primeiros casos de gripe A (H1N1) em que não foi possível determinar a origem da infecção começaram a aparecer nos últimos dias em Portugal, mas "ainda é cedo" para poder dizer que a doença está disseminada na comunidade e que se perdeu o elo da cadeia, garante o director-geral da Saúde, Francisco George. "Vamos continuar por mais algum tempo nesta fase [de contenção da doença]", diz.
Ao contrário de outros países, que já deixaram de fazer a contabilidade diária dos casos, Portugal continua a divulgar a estatística de todas as situações diagnosticadas nas últimas 24 horas. Ontem foram confirmados 32 novos casos, elevando o total acumulado desde Maio para 401. E, à semelhança do que já tinha acontecido em dias anteriores, surgiu uma situação em que não foi possível identificar a origem da infecção - um rapaz de 18 anos assistido no Hospital de Faro. Casos semelhantes tinham ocorrido já na sexta-feira (três) e na terça-feira (dois), igualmente no Hospital de Faro.
Francisco George nota que, mesmo assim, o objectivo de atrasar a propagação da gripe A tem sido atingido porque a maior parte dos casos ainda são importados (doentes que vieram do estrangeiro).
O director-geral da Saúde disse também que é impossível prever com muita antecedência quando vai começar a fase epidémica da doença. Temos "um painel de indicadores" para prever esse fenómeno, mas as previsões apenas poderão ser efectuadas com "duas a três semanas de antecedência", sublinhou.
"Nem mesmo para a gripe sazonal podemos prever a semana em que se inicia a actividade epidémica. Por vezes é no final de Outubro, outras vezes no início de Novembro, outras próximo do Natal ou em Janeiro e até em Março", explicou.
Seja como for, os serviços começam a preparar-se para a previsível multiplicação de casos. Ontem começou a funcionar um serviço de urgência autónomo para atendimento de casos de gripe A no Hospital de S. João (Porto), o primeiro deste tipo a abrir num dos oito hospitais de referência do país. A autonomização não significa uma inversão da estratégia no ataque ao vírus, notou a assistente da direcção clínica, Margarida Tavares, que disse que o objectivo é criar condições para responder ao grande afluxo de portadores do vírus previsto para os próximos tempos.
Até 31 de Julho, de acordo com o balanço ontem divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), havia 162.380 infectados e as vítimas mortais ultrapassaram a barreira do milhar (1154). Mas a própria OMS avisa que os números estão subestimados, porque os países mais afectados já não fazem análises sistemáticas.
A Argentina é o país onde a situação se tem agravado mais nos últimos dias. O número de mortes devido à doença duplicou em apenas duas semanas, passando de 165 para 337, segundo anunciou ontem o vice-ministro argentino da Saúde, Máximo Diosque. E o Irão proibiu a peregrinação a Meca no mês do Ramadão (22 de Agosto a 19 de Setembro).

