Gripe das aves: Portugal reforça análises às aves migratórias

19.10.2005 - 07:55 Por Ricardo Garcia, PÚBLICO
O Governo português pretende pedir a realização de pelo menos 500 análises a aves migratórias até ao final do ano, para despistar o vírus da gripe das aves. Numa situação normal, poucas amostras de espécies selvagens entram no programa anual de monitorização sanitária de aves, que envolve cerca de mil análises.
Devido ao cenário actual da gripe das aves, o Ministério da Agricultura já realizou duas mil análises este ano e vai fazer pelo menos mais 500 a aves migratórias, de acordo com os números avançados pelo assessor de imprensa da tutela, Mário Ribeiro. As amostras de sangue e de excrementos das aves selvagens já estão a ser recolhidas pelo Instituto da Conservação da Natureza.
O reforço da monitorização segue-se ao receio de que as migrações de aves sejam uma fonte principal de disseminação do vírus H5N1, causador da gripe. "Os últimos casos na Roménia e Turquia reforçaram essa teoria", disse à agência Reuters Alex Thierman, da Organização Mundial de Saúde Animal.
O aparecimento de um caso na Grécia, anteontem, sugere que o vírus H5N1 está a seguir uma importante rota de migração de aves, que parte da Rússia em direcção a África, passando por alguns países mediterrânicos e pelo Médio Oriente. Neste cenário, alguns especialistas temem que a região do Mar Cáspio - que concentra muitas aves migratórias no Inverno - funcione como um centro de distribuição do vírus.
Também preocupante é a possibilidade de surgirem focos da doença em África, mas esta hipótese dependerá do rigor do Inverno: quanto mais frio, mais longas são as migrações das aves.
Portugal não está incluído por esta rota migratória, mas por outra que passa antes pelo Norte da Europa. No caso dos patos - um dos possíveis vectores do vírus H5N1 -, só dez por cento dos que migram chegam a Portugal. De acordo com Helder Costa, presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, a possibilidade de contágio é, por isso, bastante menor. O risco pode aumentar, no entanto, se se registarem mais focos na Europa.
A Direcção-Geral de Veterinária está a coordenar uma comissão de acompanhamento, com representantes do Laboratório Nacional de Investigação Veterinária e da Direcção-Geral da Saúde, que vai passar a reunir-se semanalmente. O primeiro ponto da situação será apresentado amanhã, segundo informação do Ministério da Agricultura.
Espanha também está a reforçar a monitorização das aves selvagens. Foram já feitas análises a 50 aves no Parque Natural do Delta do Ebro e estão previstas mais 300 no Parque Nacional de Doñana, na Andaluzia.

