Gripe A: primeiro dia de vacinação foi uma espécie de ensaio geral 
27.10.2009 - 09:28 Por Alexandra Campos, Romana Borja-Santos
Com um sorriso na cara, o director-geral da Saúde arregaçou a manga da camisa e sentou-se. Depois, entregou-se nas mãos da enfermeira Carlota Sousa e escutou as informações sobre a vacina da gripe A. No momento da "pica" desviou o olhar para a parede onde o ursinho Winnie The Pooh tentava desanuviar o momento. E explicou que se tinha "exposto" desta forma no Centro de Saúde de Alvalade, em Lisboa, para sensibilizar para a importância e segurança da vacina.
Francisco George foi ontem um dos primeiros portugueses a estrear a primeiratranchede vacinas para a gripe pandémica. A campanha arrancou para 54 mil pessoas. Mas, numa primeira fase, durante 15 dias, serão apenas imunizadas grávidas com doença associada, profissionais de saúde insubstituíveis e trabalhadores de áreas essenciais.
O dia da inauguração foi quase só simbólico e uma espécie de ensaio geral: em muitos locais a vacina não estava disponível e os doentes não sabiam como proceder. Muitas grávidas de Lumiar, Benfica e Alvalade, por exemplo, não sabiam se iriam ser vacinadas no seu centro de saúde ou na sede do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES), em Sete Rios. É que é necessário garantir que não há desperdícios. Cada embalagem contém dez doses e, depois de aberta, o prazo de validade esgota-se em 24 horas.
Na Região Norte, apesar de o primeiro lote de vacinas (16 mil) ter chegado a centros de saúde e hospitais, só ontem é que as grávidas começaram a ser "convocadas", explicou o assessor de imprensa, Antonino Leite. O arranque simbólico aconteceu no Centro de Saúde de Espinho/Gaia, mas ao início da tarde não se sabia se havia dez profissionais para dar início à operação. Também no Hospital de São João, no Porto, a vacinação dos profissionais só deve começar quarta ou quinta-feira. Na Região Centro, os ACES estão na fase de organizar as listas, enquanto nos Hospitais da Universidade de Coimbra o processo já arrancou.
No Alentejo também não foi possível começar a vacinar grávidas, mas a justificação é outra: com menos de 50 mulheres para esta fase da campanha, ontem recolhia-se a documentação necessária para imunizar grupos de dez. No Algarve, tudo correu bem, assegurou o presidente da ARS, Rui Lourenço. Aqui a vacinação está concentrada, por enquanto, nas sedes dos três ACES locais e as grávidas com patologias (180) serão imunizadas nos hospitais.
O arranque serviu ainda para perceber que são ainda muitas as dúvidas sobre a mais ambiciosa campanha de vacinação alguma vez realizada em Portugal. Para os médicos foi elaborada uma circular informativa, só que falta fazer o mesmo para a população, defende o presidente da Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral, João Sequeira Carlos. De resto, o médico dá nota positiva ao processo. Um exemplo da confusão é Rosa Neto. Ontem foi ao Centro de Saúde de Alvalade. Grávida de dois meses, pediu a vacina. Responderam-lhe que não está no primeiro grupo e deve ir ao médico assistente. "Não percebi como é que funciona", desabafou.
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