Novos dados provenientes do México, o primeiro país afectado pela pandemia da gripe A (H1N1), confirmam que os jovens correm mais risco de apanhar o vírus mas que é nas pessoas idosas que se verificam mais mortes.
A informação consta de um estudo colocado hoje online pela publicação científica “The Lancet”. Uma equipa de epidemiologistas, conduzida por Victor Borja-Aburto, do Instituto Mexicano da Segurança Social, estudou os processos de 63.479 pessoas que foram atendidas em estabelecimentos de saúde públicos com sintomas de gripe entre o final de Abril e o final de Julho.
Os testes revelaram que, desse total, 11 por cento - ou seja 6945 pessoas - estavam realmente infectadas pelo vírus H1N1, tendo cerca de metade delas entre 10 e 39 anos. O facto de a taxa de idosos infectados não ser mais elevada pode explicar-se pelo facto de os mais velhos poderem ter adquirido imunidade enquanto jovens, por contacto com um vírus “primo” do actual.
No entanto, e apesar de adoecerem menos, os idosos que contraem a gripe A morrem mais do que os jovens, registando-se uma taxa de 5,7 por cento de falecimentos nos doentes com entre 60 e 69 anos e de 10,3 por cento nos doentes com mais de 70 anos. Em contraste, a taxa de morte entre os infectados na casa dos 20 anos foi de 0,9 por cento.
O estudo indica ainda que o risco de infecção reduz-se 35 por cento entre quem tomou a vacina da gripe sazonal nos anos anteriores - um dado já referido em estudos mas que continua controverso. Diversos investigadores consideram - com base na informação disponível - que o vírus H1N1 não deverá causar uma epidemia comparável às verificadas no século XX mas, para os autores do estudo, “o vírus evoluí e a ameaça continua lá”.


