Greve deixou muitos hospitais e centros de saúde sem um único enfermeiro

30.09.2008 - 15:21 Por Lusa
As primeiras horas de greve dos enfermeiros deixaram hoje muitos hospitais e centros de saúde sem um único profissional, garantiu o coordenador do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), admitindo que isso provocou um "impacto indesejado nos cidadãos".
"De facto, esta greve está a traduzir-se em algum impacto indesejado para os cidadãos. A generalidade dos blocos operatórios hoje está a funcionar apenas com as urgências" e em "muitos centros de saúde (...) não existem enfermeiros" a trabalhar, disse José Carlos Martins em conferência de imprensa à porta do Hospital de São José, em Lisboa. O sindicalista deu os exemplos dos distritos de Setúbal onde, garantiu, "só há dois centros de saúde que têm enfermeiros", e de Bragança, onde "oito ou nove dos 12 não têm enfermeiros".
"Portanto, há uma elevadíssima adesão da parte dos colegas dos cuidados primários que é, diga-se, onde existe o maior número de enfermeiros a contrato a quem a senhora ministra diz que lhes vai prorrogar o contrato", salientou o coordenador do SEP. Para José Carlos Martins, este tipo de adesão à greve demonstra que "está bem claro para os enfermeiros que a prorrogação dos contratos não é uma solução, é um remendo", porque a solução "é efectivar".
O Ministério da Saúde escusou avançar com dados relativos à paralisação. Apesar de não ter ainda dados definitivos sobre os números de adesão a esta greve, que começou hoje e se prolonga amanhã, o dirigente sindical disse não ter dúvidas de que os números rondarão entre os 60 a 80 por cento, justificando que mesmo nos hospitais onde a média global de adesão é baixa, há serviços que ficaram completamente desfalcados de enfermeiros.
“Enormíssima adesão”
"No Hospital da Covilhã, por exemplo, a média ronda os 53 por cento, mas tem doze serviços a cem por cento, o que quer dizer que há alguns serviços onde de facto ninguém aderiu, mas na massa de serviços do país há uma enormíssima adesão, mesmo que a média seja baixa", salientou. Para José Carlos Martins, "se a senhora ministra da Saúde ainda não compreendia a greve, no decurso das primeiras horas da manhã passou a compreende-la".
O responsável disse esperar agora que, depois desta manifestação de desagrado por parte dos enfermeiros, Ana Jorge esteja pronta para voltar à mesa de negociações, tendo em conta as reivindicações da classe. Reivindicações, como explicou o sindicalista, que passam pela admissão de mais enfermeiros, efectivação de contratos a cerca de cinco mil profissionais, melhores salários aos mais competentes, "nomeadamente os especialistas", numa carreira profissional que enquadre, do ponto de vista salarial, os enfermeiros de acordo com a licenciatura que detêm.
Para amanhã está agendada uma assembleia-geral de enfermeiros onde serão discutidas possíveis formas de radicalização de luta, que pode passar por mais dias de greve, seguindo depois para uma manifestação/concentração frente ao Ministério da Saúde. A greve e a manifestação foram convocadas pelos quatro sindicatos representantes dos enfermeiros.

