Governo quer dar, num ano, uma familia a 12 mil crianças entregues a instituições

07.02.2008 - 12:44 Por PUBLICO.PT
Até ao próximo ano o Governo quer dar uma família às mais de 12 mil crianças institucionalizadas. Em declarações à TSF, esta manhã, Idália Moniz, secretária de Estado Adjunta da Reabilitação, assume o compromisso do executivo de José Sócrates, mas frisa que não vão retirar as crianças das instituições para as meter num sítio qualquer.
“É compromisso do Governo até ao final da legislatura promover a desinstitucionalização de 25 por cento das nossas crianças. É óbvio que isto pode parecer uma medida muito fria. Nós não vamos tirar as crianças das instituições e colocá-las num sítio qualquer para cumprir esta meta". Segundo Idália Moniz, durante o ano de 2006 foram desinstitucionalizadas 4,4 por cento das crianças. A meta do Governo é chegar aos 25 por cento, uma meta que reconhece ser ambiciosa mas para a qual o Governo está a trabalhar.
"O orçamento global com os programas e medidas de respostas às crianças e jovem em perigo em 2006 foi de 7,6 milhões de euros. Em 2007, foi de 20,694 milhões de euros e em 2008 é de 27,548 milhões", acrescentou sobre o esforço orçamental investido neste sentido.
Idália Moniz acredita ainda que o novo estatuto das famílias de acolhimento aprovado recentemente pode facilitar o objectivo do Governo mas lembra que ser família de acolhimento não é uma via para a adopção: "Não podemos criar ou permitir que se criem situações dúbias, por isso é fundamental que no início de cada relação haja um compromisso escrito porque assim ninguém tem desculpa que entendeu de uma ou de outra forma», explicou.
Apesar disto, a secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação recordou que a qualquer momento as famílias de acolhimento podem manifestar o seu desejo em adoptar.
Entre as famílias que pretendem adoptar, 95 por cento destas querem crianças até aos três anos de idade, mas apenas 30 por cento das 1397 crianças em condições de adopção contabilizadas no final do ano estão dentro deste critério. E 93 por cento dos 2311 candidatos à adopção queriam crianças sem problemas de saúde.

