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Quinto aniversário do referendo

Governo não pensa aplicar taxas moderadoras no aborto

11.02.2012 - 14:20 Por Ana Cristina Pereira

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O médico celebra a diminuição drástica de complicações associadas ao aborto clandestino O médico celebra a diminuição drástica de complicações associadas ao aborto clandestino (Miguel Madeira)
De vários cantos ecoam propostas no quinto aniversário do referendo sobre Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), por opção da mulher, até às dez semanas. Uma das mais audíveis é a que pede taxas moderadoras para reincidentes. O Ministério da Saúde não pretende propor qualquer alteração.

"É extremamente positivo ter praticamente deixado de haver mortalidade e morbilidade materna por causa de uma IVG", comentou o presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, Miguel Oliveira e Silva, em declarações à agência Lusa. O médico celebra também uma diminuição drástica de complicações associadas ao aborto clandestino, como perfurações, infecções ou hemorragias. Mas não esconde o seu descontentamento com a reincidência: "É vergonhoso que o Ministério da Saúde ou se tenha esquecido ou não tenha tido a coragem de impor uma taxa moderadora no aborto recorrente. Não há qualquer explicação. É absolutamente indesculpável."

Qualquer coisa estará a falhar em matéria de planeamento familiar, aponta o presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia, Luís Graça. Dois terço das mulheres não vão à consulta de revisão e aconselhamento anticoncepcional. "Nós cumprimos a nossa parte, mas as utentes não o estão a fazer", salientou à Lusa.

O responsável pelo departamento de ginecologia e obstetrícia do Hospital Santa Maria, em Lisboa, considera que, para além das taxas moderadoras, outro aspecto deve ser posto em cima da mesa: o prazo legal. A experiência diz-lhe que se devia pensar em alargar o prazo das dez para as onze semanas. "Se recebo uma mulher com gestação de nove semanas e quatro dias, não a posso aceitar porque após o prazo de reflexão já terá ultrapassado as dez semanas."

Contactado pelo PÚBLICO, o assessor do Ministro da Saúde, Paulo Macedo, foi assertivo: "Não estamos a planear nenhuma alteração [à IVG]. Não estamos a pensar em mudar nada, nem em taxas moderadoras". O PSD já disse que quer avaliar a aplicação da lei para a "afinar". E o CDS já anunciou que estuda a possibilidade de acabar com a isenção das taxas moderadoras para mulheres reincidentes.

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