Governo garante que número de especialistas em medicina legal vai duplicar no próximo ano

19.08.2009 - 14:32 Por PÚBLICO, com Lusa
No próximo ano, o número de peritos em medicina legal vai duplicar, com a entrada ao serviço de mais 32 internos. O anúncio foi feito esta tarde pelo Ministério da Justiça, que tutela o Instituto de Medicina Legal, depois de a estrutura ter denunciado a falta de médicos especialistas ao ser confrontado com o caso de uma menor vítima de violação a quem foi pedido que esperasse 12 horas para ser observada por um perito por não existir serviço nocturno durante o mês de Agosto no instituto.
Em comunicado, o gabinete do ministro Alberto Costa indica que o quadro de especialistas do Instituto de Medicina Legal (IML), com 30 médicos, pode ser reforçado a partir de 2010 porque em 2007 foi publicada uma portaria que equipara o internato complementar de medicina legal ao das outras especialidades, com um exame de acesso único. Os 32 médicos que irão reforçar a equipa do instituto estão actualmente em formação e atingem o terceiro ano de internato - que tem um total de cinco anos – no próximo, altura a partir da qual podem fazer urgências hospitalares.
A reacção do ministério surge depois do director do IML, Duarte Nuno Vieira, ter denunciado a falta de técnicos em medicina legal, nomeadamente no Verão. Segundo aquele responsável, em Agosto, apenas três dos seis médicos que compõem a delegação sul estão a trabalhar, já que os restantes se encontram em férias. Esta situação impede, por exemplo, que sejam feitas peritagens nas noites de segunda a quinta-feira durante o mês de Agosto. Esta interrupção no serviço levou a que uma jovem de 17 anos vítima de violação na noite passada tivesse que aguardar até à manhã de hoje para ser observada por um perito do IML.
Duarte Nuno Vieira explicou em declarações à agência Lusa que as escalas para casos urgentes funcionam habitualmente 24 horas por dia todo o ano, mas a falta de técnicos e o período de férias durante este mês obrigaram à suspensão do serviço nocturno, algo que foi comunicado a todas as autoridades e ao Ministério da Saúde.
Para o director do INML, a falta de médicos deve-se ao facto de durante muitos anos a medicina legal "não ser das especialidades mais apelativas", de os médicos com mais de 55 anos terem isenção de trabalho nocturno e de existir um limite máximo de horas que um médico pode trabalhar por semana.

