Balanço evidencia dados contraditórios na adesão na função pública

Governo e sindicatos festejam números da greve

24.11.2010 - 23:03 Por Pedro Crisóstomo

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Com a greve geral a chegar ao fim, Governo e sindicatos divergem na leitura dos factos. Ambos festejaram os números, mas por razões diferentes: para a CGTP e UGT, foi a maior greve da história, com três milhões de trabalhadores a aderir à jornada; para o Governo, “o país não parou”.

No segundo balanço governamental, feito pelas 20 horas, a ministra do Trabalho, Helena André, embora dizendo que não queria entrar "em guerra sobre dados", contestou o número dos sindicatos, que indicavam a paragem de três milhões num universo de cerca de cinco milhões de trabalhadores.

A ministra referiu que Portugal tem, actualmente, pouco mais de 4,9 millhões de trabalhadores activos. Se três milhões fizessem greve, afirmou, o país teria parado. "Todos pudemos observar que, com algumas excepções, o país não esteve parado".

Antes, o secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), Carvalho da Silva, anunciara a greve como a de “maior impacto” realizada até hoje em Portugal, tendo em conta “o contexto” em que foi convocada.

Mas, de acordo com os números do Governo, apenas 29 por cento dos trabalhadores da administração pública central directa e indirecta aderiram à greve (121.358 trabalhadores), o que levou o secretário de Estado da Administração Pública, Gonçalo Castilho dos Santos, a considerar um “lapso” os dados dos sindicatos.

À tarde, as duas centrais tinham falado em cerca de um milhão de funcionários públicos em greve. Número que Gonçalo Castilho dos Santos rebateu, contrapondo que o Estado emprega apenas 835 mil.

A adesão mais forte, em termos relativos, registou-se nas estruturas do Ministério da Justiça, com 51 por cento, e a mais fraca no da Defesa Nacional, com sete por cento, informou depois o Ministério das Finanças.

Em termos absolutos, o maior contingente de grevistas pertenceu ao Ministério da Educação, o que se explica por ser o ministério com mais efectivos (197.635 trabalhadores).

No último balanço geral da CGTP, às 17 horas, de uma extensa lista de serviços de vários sectores – nomeadamente escolas, universidades, hospitais, transportes ferroviários e câmaras municipais – a maioria chegou a 100 por cento de adesão, e não há registo de qualquer serviço com adesão inferior a 50 por cento.

Para os números da central contribuiu não apenas o sector público. O privado teve “expressões variadas”, em “áreas determinantes do sector produtivo” e “com paralisação em grandes empresas”. Foram o caso do conjunto de empresas do parque industrial de Palmela, à volta da Autoeuropa e de outras na área corticeira, metalúrgica e metalomecânica, disse Carvalho da Silva.

Ao contrário do secretário-geral da CGTP e do que sublinhou ainda o secretário-geral da União Geral dos Trabalhadores (UGT), João Proença, a ministra referiu que a adesão do sector privado “foi muito reduzida”.

"O país viveu uma greve geral tranquila. A adesão à greve tem sido muito variável, segundo os sectores considerados”, disse Helena André.

Deu como exemplo o facto de, entre a 1h00 e as 16h00 de quarta-feira, o consumo de energia ter sido “praticamente igual [ao dia anterior], o que sugere que não existiu redução de actividade económica”. E apontou para outros indicadores: “A reduzida adesão no sector da cortiça”, na Galp, na EDP, nos bancos (“que estiveram todos abertos”) e nas grandes empresas de distribuição.

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