Advogados dos militares da GNR que estão a ser julgados por corrupção apoiaram hoje os requerimentos que solicitam a presença no Tribunal de Sintra de personalidades políticas como o ex-ministro Figueiredo Lopes ou o líder do PSD, Luís Marques Mendes.
Dois dos mais de cem advogados contratados para defender os 173 agentes da Brigada de Trânsito da GNR chegaram mesmo a enviar ontem um e-mail para o colectivo de juízes mostrando-se solidários com os requerimentos feitos pelo colega Manuel Matos Antão.
Depois de na passada sexta-feira ter apresentado um requerimento a solicitar a presença nas barras do tribunal de Figueiredo Lopes, Manuel Matos Antão voltou a pedir ontem ao colectivo de juízes que chamasse a depor diversas individualidades, como o líder do PSD, Marques Mendes.
Em causa está uma circular do comando da Brigada de Trânsito da GNR que, antes de ser anulada em 2002 por Figueiredo Lopes, alegadamente permitiu a Marques Mendes e outras personalidades politicas não serem punidos por infracções do Código da Estrada.
À saída da sessão de julgamento, vários advogados disseram aos jornalistas que estão de acordo com o propósito dos requerimentos que estão a ser analisados pelo colectivo de juízes, que só deverá anunciar a sua decisão na próxima terça-feira.
Ainda durante a sessão de hoje, a juíza-presidente apelou à defesa para que avise com mais antecedência quais as testemunhas de que prescindem para que o julgamento decorra de forma mais célere. O apelo foi feito depois de dois advogados terem pedido autorização para prescindir das testemunhas relativas a quatro arguidos já convocados.
Durante a sessão da manhã foram ouvidas apenas três testemunhas, depois dos advogados terem decidido não ouvir as restantes oito testemunhas convocadas para estar hoje no Tribunal de Sintra.
"Para conseguirmos programar as próximas sessões, agradecia os advogados fizessem uma programação das testemunhas para não ficarmos com momentos mortos, senão os dias ficam sem aproveitamento", apelou a juíza-presidente Anabela Cardoso.
Desde o início do julgamento, que começou a 11 de Maio e para o qual estavam arroladas mais de mil testemunhas, já foram ouvidas cerca de 200 pessoas, tendo os advogados já prescindido de ouvir outras 100 testemunhas. Além dos 173 militares, o julgamento do mega-processo de corrupção na BT da GNR envolve 22 empresários ou representantes de empresas, que alegadamente beneficiariam dos favores prestados pelos agentes da Brigada de Trânsito da GNR. Apesar do elevado número de testemunhas arroladas, o colectivo de juízes acredita que até ao final do ano o julgamento estará concluído.
A audição das testemunhas de defesa deverá durar mais um mês, seguindo-se três semanas para as alegações, uma vez que estão mais de cem advogados envolvidos no julgamento, havendo finalmente os 30 dias para sair o acordo.


