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Até Setembro

GNR recebeu 114 queixas de burla contra idosos

27.10.2009 - 09:48 Por Lusa, PÚBLICO

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Amanhã comemora-se o Dia Mundial da Terceira Idade. Amanhã comemora-se o Dia Mundial da Terceira Idade. (Daniel Rocha (arquivo))
Dois idosos da Mata do Maxial, concelho de Penacova, entregaram 1500 euros a dois alegados médicos e só tarde demais verificaram que tinham sido burlados. O caso de Leonilde Dinis e do marido, com poucos dias, ainda não consta das estatísticas oficiais da GNR que recebeu, entre Janeiro e Setembro, 114 queixas de idosos vítimas de burla, menos oito por cento do que em igual período do ano passado. Amanhã comemora-se o Dia Mundial da Terceira Idade.

Leonilde Silva Dinis, de 76 anos, tinha ido alimentar o gado, enquanto o marido Constantino “tinha ido roçar umas silvas” num olival onde preparam a colheita de azeitona. Ao regressar a casa na freguesia de Figueira de Lorvão, a mulher foi abordada na rua por dois homens, numa altura em que Constantino também chegava do campo.

“Nós somos doutores. A senhora vai pagar menos dinheiro pelos remédios”, terão os burlões comunicado logo no início da conversa. Leonilde admite ter ficado satisfeita com a novidade. Na qualidade de “médicos”, os dois burlões disponibilizaram-se a passar receitas ao casal e informaram que “o dinheiro actual vai recolher” e que “vai circular uma moeda nova”.

Tentaram depois saber quanto é que a família pagava de telefone, ao que Leonilde Dinis, de nada desconfiando, respondeu que “os meses não são todos iguais”. Com um único filho, casado e a residir na zona, os dois idosos guardavam no guarda-fatos 1500 euros em notas para umas obras que planeavam fazer na casa. Leonilde admite que não depositou o dinheiro no banco “por causa das eleições”.“Tinha medo que houvesse uma mudança, o senhor está a compreender-me...”, adianta, declarando-se agora arrependida da decisão.

Reformada, tal como Constantino, de 78 anos, a mulher nem queria acreditar que acabava de ser roubada. “Só virei costas para fechar o guarda-fatos!” Mal se distraiu, viu partir os desconhecidos “bem falantes” no automóvel que os levara a Mata do Maxial. Um deles esperara no carro, enquanto o outro entrara na casa com as vítimas.

"Como nunca fui escaldada, nunca me passou isto pela cabeça”, confessa Leonilde, que no dia seguinte, 16 de Outubro, apresentou queixa à GNR.

Até Setembro, a corporação já registou 114 queixas de idosos por burla, contra 124 em igual período de 2008. “Cuidado com as burlas” é a operação de sensibilização que a Guarda está a realizar em todo o país, de 15 de Outubro a 15 de Novembro.

Coimbra, Santarém, Aveiro, Leiria e Viseu foram os distritos onde mais ocorreram os crimes, adiantou o responsável pelos programas especiais da GNR, o major Manuel Afonso, sublinhando que em todo o ano de 2008 a GNR registou 188 crimes de burla contra idosos.

Para Manuel Afonso, estes números dizem apenas respeito às queixas apresentadas pelos idosos, devendo existir mais casos que não são denunciados, já que o medo ou o “receio em denunciar a situação” de burla leva a que os idosos não apresentem queixas, sublinhou.

Segundo o responsável os burlões actuam geralmente em dois, têm entre 35 e 40 anos, apresentam-se bem vestidos, são “muito bem” falantes e são conhecedores da vida dos idosos, uma vez que fazem um estudo prévio da vítima e não abordam pessoas sem dinheiro.

Junto dos idosos que vivem sozinhos ou em locais isolados, os burlões costumam fazer passar-se por funcionários da EDP ou da segurança social e exigem dinheiro em troca de favores. Também há situações em que os burlões pedem dinheiro para entregar uma herança ou exigem uma quantia para entregar uma encomenda de um familiar que está no estrangeiro.

A GNR aconselha ainda os idosos a desconfiar sempre de pessoas estranhas, possuir o número de telefone do posto da Guarda Nacional Republicana mais próximo e não ter objectos de valor, nem dinheiro, em casa.

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