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Território nacional serve para esconder armamento para atentados

GNR descobriu em Óbidos mais explosivos do que a ETA fez rebentar em 2009

06.02.2010 - 09:10 Por José Bento Amaro, Alexandra Barata e Nuno Ribeiro, Madrid

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A GNR montou ontem uma vasta operação junto à casa que albergou os elementos da ETA A GNR montou ontem uma vasta operação junto à casa que albergou os elementos da ETA (Miguel Manso)
Polícia Judiciária admite pela primeira vez que a ETA está em Portugal. GNR apreendeu detonadores na noite de segunda-feira, mas só deu conta do caso três dias depois.

A Polícia Judiciária (PJ) reconheceu ontem, pela primeira vez, a existência de esconderijos da ETA em Portugal. O director nacional da PJ, Almeida Rodrigues, admitiu a presença organizada dos separatistas bascos no país após elementos da GNR de Óbidos terem descoberto, no final da tarde de quinta-feira, na localidade de Casal da Avarela, naquele concelho, uma casa onde se teriam ocultado pelo menos dois activistas da organização.

Foram apreendidos 500 quilos de explosivos e, pelo menos, dois detonadores eléctricos. Esta é uma das maiores apreensões de sempre de explosivos da ETA fora de Espanha e pode indiciar a existência de uma organização forte e já enraizada em Portugal. Para se ter uma ideia da importância do material agora apreendido, ele é superior ao total usado nas bombas que a ETA fez explodir no último ano em Espanha. Nos últimos anos, só a operação em 2006 da polícia francesa em Gramont, no Sul de França, em que foram apreendidos 700 quilos de explosivos, supera a de Óbidos.

Os 500 quilos de explosivos e material eléctrico apreendidos na garagem da vivenda estavam em perfeitas condições de segurança, segundo afiançou ontem o comandante do Centro de Inactivação de Explosivos da GNR, Hélder Barros. O mesmo responsável adiantou que se trata de explosivos artesanais e que uma parte não especificada estaria apta a ser rebentada "nas próximas semanas" mediante a aplicação de componentes eléctricos.

Há, pelo menos, dois homens, espanhóis, em fuga. Trata-se dos ocupantes da casa de Casal da Avarela (localidade de apenas três ruas e uma praça), os quais escaparam, na noite de segunda-feira, a uma patrulha da GNR que procedia a um controlo rotineiro de trânsito na EN 1048, próximo de Óbidos. A polícia admite, no entanto, que pelo menos mais duas pessoas possam ter auxiliado os dois suspeitos na fuga. Além disso, existe também o registo de que a casa onde se escondiam serviu, no fim-de-semana anterior, para receber um elevado número de convidados. A soma de todos estes factores indicia a possibilidade de a ETA possuir outros esconderijos em Portugal.

Por outro lado, a elevada quantidade de explosivos apreendidos aponta para a eventualidade de os mesmos terem sido transportados em várias operações e não apenas numa. Tal hipótese, que envolve variados meios humanos e materiais, pressupõe a existência de uma organização já bem definida. A existência do chamado "Comando Portugal", que já em 2003 era aventado nos relatórios da Europol, ganha agora mais consistência.

GNR alertou tarde

Ontem à tarde, em conferência de imprensa, o comandante da GNR, general Nélson Santos, contou como se chegou aos suspeitos e como estes acabaram por abandonar o carro onde viajavam (uma carrinha Citroën Berlingo) numa estrada de terra batida, depois de terem fugido aos guardas que os mandaram parar na estrada. Terá sido nesse caminho de terra batida que um segundo carro os recolheu e os levou novamente à casa de Casal da Avarela, na Rua do Gesso, número 19, de onde se presume terem desaparecido à pressa.

Na carrinha entretanto recuperada (fora furtada no ano passado na zona de Castelo Branco e circulava com diversas matrículas falsas), a GNR veio a encontrar pás e enxadas, algumas peças de vestuário e dois detonadores eléctricos. As pás e as enxadas significam que os suspeitos teriam já escavado um zuro (esconderijo no chão onde colocam recipientes com armamento). Apesar da descoberta dos detonadores, a GNR só veio a comunicá-la à PJ no final da tarde de quinta-feira. Passaram, portanto, três dias após a fuga dos suspeitos.

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Comentário + votado

A Falsa Mentira

Então o MAI não garantiu que não havia bases da ETA em Portugal ? Que autoridade tem a GNR para ...

Velho do Restelo

06.02.2010 10:21

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