GNR de Armação de Pêra suspeito de violação ficou em prisão preventiva

27.07.2007 - 21:04 Por Lusa, PUBLICO.PT
O militar da GNR suspeito de tentativa de violação e auxílio à imigração ilegal vai aguardar julgamento em prisão preventiva, após ter sido ouvido hoje durante cerca de seis horas no Tribunal de Portimão, segundo fonte judicial.
O guarda foi detido na quarta-feira pelos colegas, acusado de vários crimes. Já teria sido alvo de investigação pela Polícia Judiciária (PJ), devido aos sinais de riqueza que ostentava, mas sem resultado. Só agora terá sido possível reunir provas do seu envolvimento na prática de diversos crimes.
O militar, que exercia funções no posto de Armação de Pêra, disse hoje aos jornalistas que está “inocente” de todos os crimes de que é acusado, sublinhando que se trata de “uma perseguição feita pela GNR” do posto onde trabalhava.
“Foi uma cabala montada com uma perseguição que já vem de há muito tempo”, disse o militar, que referiu que no posto de Armação de Pêra se passam “coisas estranhas”, acusando colegas e oficiais de terem “orquestrado toda esta situação”.
O detido alega que todos os bens materiais que tem são provenientes de empréstimos bancários avultados, cuja existência pode ser comprovada pelo tribunal.
Encontrando-se em licença de férias, o militar admite que colaborava na empresa de gestão e aluguer de imóveis propriedade da sua mulher e que trabalhava “dia e noite” na GNR, o que contribuía para o pagamento desses empréstimos.
Advogada acusa elementos da GNR de coacção
Por seu turno, a advogada do arguido, Lurdes Gonçalves, disse aos jornalistas que foi extraída uma certidão do processo contra os militares da GNR para que sejam indiciados por crimes de coacção física e moral, entre outros, à própria advogada.
A causídica disse ainda que vai recorrer da medida de coacção de prisão preventiva por ela e o militar terem sido confrontados com crimes que desconheciam.
À porta da sala de audiências onde o militar estava a ser ouvido, deslocaram-se vários familiares, que reagiram com alguma indignação à prisão preventiva aplicada como medida de coacção.
Um dos três militares da GNR que acompanharam o arguido ao tribunal, ao ouvir a advogada dizer aos jornalistas que os guardas iriam ser alvo de processos-crime, ironizou, com a expressão: “Isso vai ser um furo [notícia] do ‘caraças’.”
Lurdes Gonçalves sublinhou que os processos irão recair não só sobre os militares de baixa patente, mas envolverão também oficiais.

