Francisco George afasta relação entre morte de feto e vacina e autoridades incentivam à vacinação das crianças 
16.11.2009 - 18:44 Por Lusa
O director-geral de Saúde, Francisco George, afirmou hoje que quase todos os dias morrem fetos, afastando a possibilidade de haver uma relação entre casos destes e a a administração da vacina contra a gripe A em grávidas. O responsável escusou-se a comentar o caso da grávida de Portalegre que no sábado perdeu o feto de 34 semanas, três dias depois de ter recebido sido vacinada, mas explicou que casos como este podem acontecer “independentemente da vacina”.
De acordo com Francisco George, dados dos últimos cinco anos apontam para a morte de 280 a 340 fetos por ano depois das 28 semanas de gravidez, “quase sempre sem explicação clínica”, tratando-se de “mortes súbitas, a maioria das vezes”. Nas palavras do director-geral de Saúde, este fenómeno ocorre quase todos os dias em Portugal.
“Pode acontecer que uma situação desta natureza tenha uma coincidência temporal associada à vacinação, mas não tenha uma relação causal", afirmou, acrescentando que “todos os especialistas admitem que o mesmo problema teria acontecido independentemente da vacina”.
Questionado sobre se Portugal seguirá o exemplo de Espanha, onde as grávidas receberão a vacina sem adjuvante, Francisco George disse: “Temos a vacina com o adjuvante que sabemos não representar qualquer risco acrescido”. Além disso, acrescentou que outras vacinas tomadas na gravidez também têm adjuvante.
Francisco George insistiu na necessidade da vacinação das grávidas contra a gripe A, justificando que “as complicações com a vacina são muito ligeiras”, enquanto o risco de ter complicações associadas ao vírus H1N1 é dez vezes maior numa grávida.
Entretanto, a subdirectora-geral da Saúde aconselhou hoje, dia em que começou a vacinação das crianças dos seis aos 24 meses contra a gripe A, os pais a vacinarem os filhos como fazem para outras doenças, como a rubéola ou sarampo.
“As crianças contraem muitas doenças e vão parar ao hospital, que é um local onde se pode contrair outras doenças, além de, comparadas com outros grupos, terem um risco acrescido de internamento”, disse Graça Freitas à agência Lusa.
A responsável da Direcção-Geral da Saúde sustentou que, se os pais para evitar certas doenças como a papeira, sarampo, meningite ou rubéola, vacinam os filhos, também devem fazê-lo para combater o vírus H1N1. “Se nós fazemos isso aos nossos filhos para outras doenças, também o devemos fazer para a gripe A”, acrescentou.
Sobre o primeiro dia de vacinação das crianças dos seis aos dois anos (cerca de 145 mil), Graça Freitas afirmou que ainda é prematuro fazer uma avaliação. “Hoje é o primeiro dia, ainda é muito precoce fazer uma avaliação. Os pais estão a contactar os centros de saúde e estes a adaptar-se”, sublinhou, comentando que “os primeiros dias são sempre atípicos”.
Graça Freitas sublinhou que as crianças com menos de dois anos são as que têm um risco acrescido e, por isso, foram as primeiras a ser vacinadas. “Paulatinamente e à medida que as coisas forem avançando” a vacinação irá ser estendida até aos cinco anos, o que deverá acontecer em Dezembro ou Janeiro. Depois a vacinação poderá ser prolongada por mais grupos conforme a disponibilidade da vacina e se for uma ou duas doses, avançou Graça Freitas.
A Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), a Sociedade de Infecciologia Pediátrica e a Comissão de Vacinas da SPP afirmaram hoje, em comunicado, concordar “com a vacinação contra a infecção pelo vírus da gripe pandémica (H1N1) de todas as crianças, com ou sem patologia”. Os pais que queiram vacinar os filhos devem contactar o centro de saúde e levar o Boletim de Nascimento ou a Cédula de Saúde.
Restam 1200 caracteres
Os comentários deste site são publicados sem edição prévia, pelo que pedimos que respeite os nossos Critérios de Publicação. O seu IP não será divulgado, mas ficará registado na nossa base de dados.
Quaisquer comentários inadequados deverão ser reportados utilizando o botão “Denunciar este comentário” próximo da cada um. Por favor, não submeta o seu comentário mais de uma vez.

