Funcionários judiciais consideram requisição civil "inútil e prepotente"

26.10.2005 - 12:56 Por Lusa
O presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais, Fernando Jorge, disse hoje que os funcionários judiciais vão acatar a requisição civil decretada em Conselho de Ministros, mas classificou a decisão do Governo como "uma demonstração gratuita de autoridade e prepotência".
"Esta medida não tem efeitos práticos numa greve de 24 horas", disse o responsável, salientando que, apesar de acatarem a decisão, os "funcionários não estão à porta do tribunal à espera da requisição civil".
Fernando Jorge considerou a requisição civil dos cerca de nove mil funcionários judiciais uma medida "prepotente e inútil e que não terá efeitos práticos e justificáveis".
O Conselho de Ministros justificou a requisição civil dos funcionários judiciais que estão em greve por falta de cumprimento dos serviços mínimos.
Um responsável do Ministério da Justiça disse à Lusa que a medida foi tomada após ter sido verificado que os serviços mínimos não estavam a ser cumpridos em alguns tribunais.
No entender de Fernando Jorge, esta medida "tem pouca utilidade uma vez que os funcionários de vários pontos do país estão já a caminho de Lisboa para a manifestação que vai decorrer às 15h00 no terreiro do Paço e não vão voltar atrás por causa da requisição civil".
O Conselho de Ministros está reunido em Lisboa desde as 09h30, esperando-se o anúncio da requisição civil na conferência de imprensa no final dos trabalhos.
Fonte oficial indicou anteriormente que a greve destes funcionários estava a decorrer com uma adesão de 84,51 por cento, número abaixo dos 95 por cento de adesão indicado pelo sindicato.
"Considero excepcional o número avançado pela tutela, de 84,51 por cento, pois é elevado", disse Fernando Jorge.
O responsável considerou, no entanto, que nos dados avançados pelo ministério não estarão incluídos os funcionários que estão a cumprir os serviços mínimos. "Os funcionários estão a cumprir os serviços mínimos mas também estão em greve", considerou Fernando Jorge.

