A Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC) da Polícia Judiciária (PJ) marcou para amanhã uma greve nacional, em protesto contra os cortes orçamentais e "a postura silenciosa do Governo" face às suas reivindicações.
Segundo a ASFIC, "o objectivo da greve é reivindicar melhores condições salariais, sociais e de trabalho" e lutar contra a "asfixia financeira" da PJ.
Para o secretário-geral da associação sindical, Carlos Garcia, "a operacionalidade da PJ já está abaixo dos 40 por cento do normal" devido ao "estrangulamento financeiro".
"Reclamamos do Governo uma resposta às nossas reivindicações e o cumprimento dos compromissos assumidos, nomeadamente quanto ao trabalho extraordinário, a aposentação e passagem à disponibilidade dos funcionários e o retorno aos serviços sociais do Ministério da Justiça", disse Carlos Garcia, em declarações à agência à Lusa.
Para a ASFIC, "o endurecimento das acções de luta prende-se com a postura do Ministério da Justiça em relação às lutas levadas a cabo pelos funcionários da PJ, nomeadamente o seu silêncio em relação às reivindicações".
A associação apela a todos os funcionários de investigação criminal (cerca de 1200) que adiram à greve "para mostrar a indignação e exigir do Governo respeito".
A propósito da demissão do director nacional Santos Cabral, substituído pelo magistrado Alípio Ribeiro, aquele dirigente explicou que a luta dos funcionários de investigação criminal "nunca foi com a direcção nacional da PJ e sempre com o Governo",
Os funcionários de investigação criminal da PJ iniciaram a 1 de Fevereiro uma greve por sectores, que ocorreu em dias alternados, e que, segundo a associação sindical, registou uma adesão de cerca de 90 por cento.
"Os pressupostos para a greve até se agravaram desde as paralisações sectoriais", afirmou.
De acordo com a ASFIC, "a PJ não paga a certos fornecedores e aos funcionários de investigação criminal deve ajudas de custo e piquetes".
A ASFIC marcou para amanhã, às 11h00, uma conferência de imprensa onde pretende explicar os motivos da greve e apresentar alguns números que, segundo o dirigente sindical, "contrariam algumas declarações do ministro da Justiça ".


